São Paulo, 16 (AE) - A recuperação econômica da América Latina neste segundo semestre não será suficiente para compensar a forte recessão observada nos primeiros seis meses do ano, razão pela qual a taxa regional de crescimento deve fechar o ano em -0,4%. A conclusão é do chefe da Unidade de Análises Macroeconômicas da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe), Hubert Escaith. "Pela primeira vez na década, o PIB (Produto Interno Bruto) regional vai experimentar uma ligeira queda", diz o economista.
Apesar desse quadro ligeiramente recessivo, porém menos grave do que as previsões feitas logo depois da crise cambial brasileira, Escaith acredita que os indícios de recuperação no terceiro e quatro trimestres deste ano mostram que, a partir do próximo ano, a economia latino-americana "retomará a tendência ascendente".
O economista afirma, entretanto, que este ano será uma continuidade do que ocorreu ao final de 1998, quando observou-se um quadro recessivo bastante pronunciado na América do Sul e uma situação pouco melhor no México, Centro-América e o Caribe. De acordo com Escaith, o quadro regional foi particularmente afetado pela recessão no Brasil, que representa 40% do PIB regional, e na Argentina.
Os dados preliminares do "Estudo Econômico da América Latina e Caribe 1998-1999", elaborado pela Cepal, mostram ainda que, pela primeira vez desde o início dos anos 80, o déficit da conta corrente da América Latina superou o patamar dos US$ 89 bilhões, passando de 3,4% do PIB, em 1997, para 4,5%. Mas, explica Escaith, "a deterioração da conta corrente começou reverter-se em vários países latino-americanos já no final de 1998, razão pela qual espera-se que este ano o déficit regional caia para pelo menos US$ 75 bilhões (3,5% do PIB), voltando ao patamar de 1997".
Para o economista, se a situação internacional se mantiver no mesmo quadro atual, o déficit de conta corrente regional poderá ser financiado sem recorrer às reservas internacionais. "A crise na ásia afetou de forma adversa o comércio de bens e os fluxos de capital, que, no ano passado, não foram suficientes para cobrir o déficit, razão pela qual os países da região tiveram de utilizar suas reservas internacionais para equilibrar as suas contas externas, além de recorrer, em maior grau, aos recursos do FMI", diz Escaith.
De acordo com o estudo da Cepal, o ingresso de capital estrangeiro caiu de uma cifra recorde de US$ 85 bilhões, em 1997
para US$ 68 bilhões no ano passado. Embora os investimentos estrangeiros diretos tenham se mantido na base de US$ 60 bilhões
os bônus, empréstimos bancários e as compras de ações sofreram uma queda significativa.

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