PIB cairá 4% no semestre e indústria puxará recuperação, diz Ipea
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 30 (AE) - A indústria vai liderar a recuperação da economia brasileira a partir do segundo semestre deste ano, segundo as projeções do Instituto Brasileiro de Pesquisa Econonômica Aplicada (Ipea), divulgadas hoje no "Panorama Conjuntural" de abril. O instituto prevê queda de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional neste ano - pouco mais da metade da queda prevista no acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que seria de 4,4%.
Segundo o instituto, no primeiro semestre, a queda do PIB será de 4%. Até o terceiro trimestre do ano, a queda do PIB no País será de 3,4%. Em relação à produção industrial, o instituto projetou, até o fim do ano, redução acumulada de 3% da atividade. A retração será de 4,5% em todo o primeiro semestre, mas o total acumulado baixará para -3,8%, no terceiro trimestre.
Mesmo com a recuperação da indústria, o PIB do setor deverá cair 2,8% durante o ano e de 3,7% no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano passado. O setor agropecuário será o único com crescimento do PIB este ano, segundo as previsões do Ipea. O aumento da produção será de 3,5%
chegando a 1,8% no primeiro semestre, como resultado do aumento de 4,3% das lavouras e de 3,2% da produção animal.
No setor de serviços, haverá queda de 2,8% do PIB anual, basicamente em função de uma queda de cerca de 7% projetada para o comércio.
O economista Fernando Ribeiro, do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do Ipea, explicou que a reação da indústria será mais influenciada pela substituição de produtos importados pelos nacionais, no consumo interno, do que pelo aumento das exportações.
Este vai ser, com certeza, o primeiro impulso para o crescimento voltar a crescer, já que os gastos privados continuam caindo, por causa da recessão, e os gastos públicos também, por conta do ajuste fiscal", afirmou.
Improbabilidade - O reflexo desta trajetória nos níveis de emprego vai demorar mais tempo para acontecer, estimou Ribeiro. Segundo o economista, o PIB cairá menos do que o previsto no acordo do Brasil com o FMI, por causa da rapidez da queda da inflação provocada pela alta do dólar e arecuperação do valor do real. "É praticamente improvável que haja uma queda como a do acordo com o fundo", afirmou.
As previsões do Ipea são de crescimento de 6,7% da atividade da indústria extrativa mineral brasileira neste ano, enquanto que a indústria de transformação terá redução de 3,2% de sua atividade. Na divisão por categorias de uso, a produção de bens de capital sofrerá retração de 7%, a de bens intermediários, de 3,3%, e a de bens de consumo, de 3,4%. A produção de bens duráveis cairá 8,5% no ano, e a de não-duráveis
de 2,1%.


