São Paulo,06 (AE) - O presidente mundial da Asea Brown Boveri (ABB), G”ran Lindahl, afirmou hoje que está otimista com o cenário brasileiro para os próximos anos e previu um crescimento entre 2% e 4% no PIB brasileiro em 2000. "O Brasil tem um grande potencial para o futuro", disse Lindahl. Ele participa, amanhã, em São Paulo, da reunião do Conselho de Administração da ABB, a primeira que o grupo, com faturamento de US$ 31 bilhões no ano passado, realiza na América Latina. Hoje à noite, os integrantes do Conselho jantam no Palácio dos Bandeirantes com o presidente Fernando Henrique e o governador Mário Covas.
Lindahl justificou seu otimismo com o Brasil pela inflação baixa e a previsão de crescimento na demanda por produtos e serviços da ABB no Brasil. A empresa, de capital sueco e suíço e formada por cerca de mil subsidiárias, atua no setor energético e de engenharia pesada em 140 países no mundo. No Brasil, a ABB forneceu sistema elétrico para o Bondinho do Pão de Açúcar em 1912 e mais de 80% dos equipamentos de elétricos usados na usina de Itaipu. Hoje, 25% do faturamento da empresa no Brasil e no mundo são provenientes da geração de energia.
O presidente da empresa acredita que a demanda no setor de transmissão de energia deve crescer no Brasil com a expansão da eletrificação rural, o crescimento populacional das grandes cidades e o aumento da atividade industrial, tornando o cenário para a ABB "maravilhoso". Lindahl afirmou que a empresa começou atuando somente no setor de eletricidade, englobando hoje gás, petróleo e serviços.
"O Brasil lidou com as crises mundiais de maneira excelente", disse Lindahl. Ele acrescentou que o crescimento de US$ 10 bilhões nos investimentos externos, no Brasil, de 97 para 98, indicam a confiança que o mercado internacional tem no País. "Aqui, as oportunidades são maiores que os problemas. O Brasil nos dá bons lucros." Entre os países emergentes, o Brasil é responsável pelo segundo maior faturamento da ABB, depois da China. "Mas nós temos cinco mil funcionários na China e seis mil no Brasil", disse o presidente mundial da empresa. Dos US$ 2 bilhões anuais que a empresa fatura na América Latina, mais da metade é proveniente do Brasil, que representa entre 3% e 5% do total mundial. Na América Latina, a empresa tem ainda investimentos no México, América Central, Chile, Argentina, Venezuela, Colômbia e Peru.
A desvalorização do real fez a empresa elevar as exportações para um total estimado em US$ 500 milhões este ano, segundo Lindhal, praticamente dobrando o volume exportado anualmente antes do Plano Real, que ficava entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões. A ABB tinha previsões de investimento de R$ 100 milhões no Brasil, este ano. Desse total, cerca de R$ 40 milhões foram usados na aquisição da Ceman, na Bahia, empresa que atua na área de manutenção de equipamentos.
A empresa adquiriu também três outras fábricas no Brasil este ano, mas o valor dos negócios não foi revelado. Entre os setores da ABB que mais crescem estão tecnologia -- desenvolvimento de softwares das indústrias de robótica -, petroquímica, petróleo e gás. Em março, a ABB anunciou uma fusão com a Alston, criando a ABB Alston Power (AAP), negócio que, no Brasil, ainda não foi aprovado pelo Cade. Segundo o presidente da ABB, no entanto, "é apenas questão de tempo".

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