Teresina, 12 (AE)- O delegado Wilson Torres, um dos principais personagens do crime organizado no Piauí, terá pedido de prisão provisória encaminhado à Justiça pela Polícia Federal. As Polícias Federal e Civil devem pedir que sejam presos outros implicados no dossiê que apura a rede de crimes como corrupção, assassinatos, sonegação fiscal e tráfico de armas. A quebra de sigilo fiscal e bancário dos acusados será a primeira providência a ser adotada pela PF após abrir os inquéritos, amanhã (13).
Em razão do pequeno contingente de agentes para trabalhar no caso, a Superintendência da Polícia Federal espera auxílio de Brasília. O delegado Airton Franco, que por enquanto está à frente das investigações, anunciou a chegada à Teresina, quinta-feira, do diretor geral da PF, Agílio Monteiro. Ele irá para se informar sobre o andamento das investigações, mas poderá também determinar o envio de mais policiais, carros e recursos financeiros para assegurar o êxito da ação da Polícia Federal.
A prisão do delegado Torres também poderá ser solicitada pelo Ministério Público do Piauí, que antes pedirá a suspeição do juiz Orlando Pinheiro, da Primeira Vara Criminal, suspeito de pertencer ao esquema criminoso liderado pelo coronel Viriato Correia Lima. Como deveria ser Pinheiro o juiz a quem se encaminharia os pedidos de prisão provisória, o afastamento dele é considerado fundamental para o êxito dos inquéritos contra os criminosos.
Torres se reuniu hoje (12) com o delegado-geral Francisco Bonfim e com o delegado Francisco Costa, que comanda o grupo de policiais nomeados para investigar o crime organizado. Ele renunciou à presidência da Associação dos Delegados de Polícia, pressionado pelos colegas depois que vieram a públicos gravações revelando o uso de uma sala da entidade para falsificar notas fiscais. Amanhã (13) o delegado Francisco Costa vai abrir os inquéritos que vão apurar o envolvimento de Torres e outras pessoas no crime organizado.
Hoje ao meio-dia, o presidente da OAB-PI, Nelson Costa, chegou a Teresina, depois de uma semana em Brasília.. Ele, a mulher e os filhos desembarcaram sob escolta policial, já que ele foi ameaçado de morte. Costa voltou a defender a nomeação de um oficial do Exército para comandar a Polícia Militar do Piauí. Ele também quer que o coronel Correia Lima, preso num quartel da PM, seja transferido para um quartel do Exército. "O ideal é que ele esteja onde não possa colocar em funcionamento a sua rede de colaboradores", diz Costa.
A Polícia Federal divulgou fitas em que o coronel Correia Lima combina com um pistoleiro chamado Valois o assassinato do empresário Francisco Abraão, dono de uma sapataria. "Tu chega na loja, pede um calçado e mete bala nele", orienta Lima ao pistoleiro, estabelecendo o valor que pagaria pelo "serviço": R$ 10 mil. A gravação também revela desavenças entre Lima e Torres, chamado de "cobra caninana" pelo comparsa.

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