Philomena Rafagnin
Velha, lá em Foz do Iguaçu tem umas quedas de água que são a coisa mais linda. Um dia o mundo inteiro vai querer ver. O futuro está lá. Philomena Rafagnin, hoje com 68 anos, ainda lembra com detalhes a frase que o marido, Olímpio Rafagnin, disse para ela quando voltou de uma viagem a Foz do Iguaçu. Isso foi há quase 40 anos.
Naquela época, a família morava em Cascavel. A viagem de caminhão, trazendo a mudança até Foz do Iguaçu, levou 16 horas. Philomena conta que resistiu até concordar em vir para Foz do Iguaçu. Desde que tínhamos saído do Rio Grande do Sul, já havíamos mudado 22 vezes de casa. Eu contei.
Mas a família veio. Philomena estava grávida do quarto filho. Em Foz, a família montou uma pequena churrascaria que atendia viajantes e caminhoneiros. O meu marido ia buscar a carne de bicicleta, lembra Philomena. Nós trabalhávamos o dia todo, os filhos mais velhos ajudavam. Eu cozinhava.
Segundo Philomena, aqueles foram tempos difíceis, de muito trabalho. A gente não tinha hora. Mesmo grávida eu puxava água de poço.
Logo depois, a família vendeu a churrascaria e comprou um pequeno hotel no centro da cidade. Mas o ritmo de trabalho continuou puxado. Nós cuidávamos de tudo. Até as roupas dos hóspedes eu lavava.
Foi Olímpio Rafagnin o primeiro a comprar um ônibus para fazer a linha centro-Ponte da Amizade. Ele era o motorista, e os filhos mais velhos trabalhavam como cobrador. Mas, Philomena conta que eram tão poucos os passageiros que o que ele recebia não dava para pagar as despesas com o combustível.
A história da família se confunde com a do turismo em Foz do Iguaçu. Hoje, o grupo Rafagnin é dono de um dos hotéis mais luxosos da cidade, duas grandes churrascarias, um centro de gastronomia, uma danceteria, e do Oba Oba, uma casa de shows de samba para turistas. A família é exemplo do ditado italiano Chi dorme non piglia pesci (Quem dorme não colhe pêssegos).





