São José dos Campos, SP, 13 (AE) - A Philips anunciou hoje que exportará 40% dos 7 milhões de cinescópios que serão produzidos neste ano em seu complexo industrial de São José dos Campos. Foram fechados contratos com 16 clientes estrangeiros no valor total de US$ 100 milhões para a venda de tubos de 14 e 20 polegadas. Esse índice de comercialização externa é o dobro do registrado no ano passado e quatro vezes superior ao de 1998. As peças são estão sendo produzidas com a tecnologia Black Line, recém-lançada pela companhia no mercado mundial.
Segundo o gerente geral da unidade, Júlio Pacini Neto, a empresa contratará 300 funcionários para a linha de produção. A fábrica de tubos de imagem da Philips atingiu a produção recorde em 1996, quando tornou-se a maior produtora de cinescópios do hemisfério sul e a principal fornecedora da América Latina. A crise de consumo no mercado interno, iniciada em 1997, se arrastou até o ano passado derrubando os índices de produção da fábrica drasticamente. "Adotamos uma estratégia de exportação que nos trouxe um aprendizado novo pelo alto grau de exigência"
comentou.
Um dos fatores de alavancamento da produção dos cinescópios para tevês de pequeno e médio portes foi migração das grandes fabricantes para os aparelhos de tela grande. O mercado internacional buscou na Philips brasileira a possibilidade de suprir a demanda deste produto.
Entre os compradores estrangeiros estão a Panasonic, Sanyo, Sharp e Zenith, além de fábricas da marca situadas na Europa. A principal cliente é a Philips da Hungria. "Serão exportados esse ano de 2,5 a 3 milhões de cinescópios", explicou Pacini.
A reação da fábrica deu-se também pela entrada em declínio, no País, da procura por televisores de tela grande nos últimos dois anos.
Esse segmento saiu de 18% de participação no mercado para 12% previstos para esse ano. A retomada do crescimento produtivo ainda contou com um grande esforço para aumentar a competitividade internacional, a desvalorização da moeda nacional e a chegada de novos tecnologias, como a Black Line. "Mesmo com esse alto índice de exportação, nossa prioridade continua sendo o mercado local", observou o gerente.
A Philips do Brasil é líder nacional na venda de televisores e detém 50% do mercado de cinescópios da Argentina. A direção da multinacional estuda a possibilidade de instalar no pólo industrial do Vale do Paraíba uma linha de produção de Real Flat
conhecido como tela plana, para abastecer o mercado interno deste produto. "A tendência é a tela plana migrar também para as tevês pequenas como já está ocorrendo no exterior", admitiu Pacini.

mockup