Nova York Um júri da Califórnia ordenou à gigante dos cigarros Philip Morris, maior empresa de tabaco do mundo, que pague US$ 28 bilhões por perdas e danos em um processo antitabaco, informou a empresa ontem. O valor é pouco inferior ao socorro financeiro concedido ao Brasil pelo FMI, de US$ 30 bilhões, e superior ao PIB do Uruguai, estimado em US$ 19 bilhões.
O júri considerou para seu veredicto os danos ''punitivos'' contra Betty Bullock, de 64 anos, que já havia recebido US$ 875 mil em primeira instância por ter contraído câncer de pulmão.
Betty Bullock, de Newport Beach, cidade próxima a Los Angeles, começou a fumar aos 17 anos, e manteve o vício por quase toda a vida, fumando a marca Benson & Hedges, até que foi diagnosticado um câncer em estado terminal em fevereiro de 2001. Durante o julgamento, a Philip Morris foi acusada de fraude e negligência por ter ocultado a capacidade que o tabaco tem de causar vício.
Os advogados da empresa disseram ao júri no mês passado que Bullock ''ignorou os perigos do fumo por 30 anos'' e que a Philip Morris ''não deveria ter que pagar os custos do tratamento de seu câncer de pulmão''.
O mesmo advogado que representou Bullock no último julgamento antitabaco, Michael Piuze, ganhou uma indenização de US$ 3 bilhões contra a Philip Morris num caso julgado na Suprema Corte Los Angeles no ano passado, estabelecendo um recorde à época por um processo individual de um fumante.
As ações da Philip Morris e das grandes empresas americanas do setor tiveram forte queda ontem, em decorrência da sentença.

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