Nova York, 13 (AE-AP) - A Philip Morris Cos. Inc., o maior fabricante de cigarros do mundo, admitiu publicamente que o tabaco não é seguro e anunciou que lançará uma campanha publicitária ao custo de US$ 100 milhões para reabilitar sua imagem.
"Durante muito tempo, deixamos que os outros definissem o que somos", declarou Steven Parrish, vice-presidente-sênior para assuntos corporativos da Philip Morris.
A companhia lançou um site na Internet, no qual diz, em uma das seções, que "não existe cigarro seguro" e que "fumar cigarro é um vício". O fabricante passou anos contestando as pesquisas que afirmavam que o fumo contribui para problemas de saúde, mas agora admite que os fumantes estão sujeitos a doenças.
"Existe um consenso esmagador entre os médicos e os cientistas de que fumar provoca câncer de pulmão, doenças cardíacas, enfisema e outras doenças sérias entre os fumantes", diz o site. "Os fumantes têm uma tendência bem maior do que os não-fumantes de desenvolver doenças sérias como o câncer de pulmão".
Um trecho do site até oferece conselhos para quem quer deixar de fumar, descreve os ingredientes do cigarro, como fumo e nicotina, mas não detalha as proporções da composição.
Em abril deste ano, a companhia Brown e Williamson lançaram um site na Internet no qual afirmavam que a companhia acreditava que os fumantes "estão arriscando seriamente sua saúde".
Em junho, Parrish disse a companhias de seguro que a Philip Morris queria criar um "perfil mais visível" ao responder às críticas. Para tal, a companhia procuraria um senso comum para resolver interesses conflitantes e publicaria as contribuições econômicas e sociais da Philip Morris.
A campanha publicitária acontece no momento em que os fabricantes de cigarro ainda enfrentam os ataques do governo norte-americano, das companhias de seguro e dos ativistas que querem que a indústria ajude a pagar pelo tratamento de fumantes que ficaram doentes e convença as crianças a não querer fumar.
A indústria do fumo conseguiu acalmar a oposição quando chegou a um acordo pelo qual pagará 246 bilhões de dólares aos 50 estados norte-americanos ao longo de 25 anos e aceitará restrições na venda dos cigarros. Em troca, as ações foram arquivadas.
No mês passado, porém, o governo entrou com uma nova ação contra os fabricantes, tentando recuperar parte dos 20 bilhões de dólares que gasta todos os anos em programas relacionados às doenças causadas pelo fumo.
Os fabricantes ainda são alvo, também, de dezenas de ações impetradas por companhias de seguro e por indivíduos que alegam ter fumado durante décadas, sem saber da extensão correta dos males provocados pelo cigarro.
Os anúncios da Philip Morris na televisão serão veiculados em horário nobre, como "Bom Dia América" e em programas de grande audiência, como jogos de beisebol e o seriado "ER" (exibido no Brasil como "Plantão Médico").

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