PGE aguarda documento para anular licitação
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segunda-feira, 18 de julho de 2005
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- A Procuradoria Geral do Estado (PGE) aguarda o recebimento dos documentos solicitados ao Ministério Público (MP) estadual e ao Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) para iniciar o processo de suspensão ou anulação das licitações públicas feitas pela Coordenadoria Estadual da Região Metropolitana (Comec). Os processos previam obras do programa de Integração do Transporte (PIT) da Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com o procurador Sérgio Botto de Lacerda, o inquérito e a denúncia oferecida contra 27 pessoas servirão como base para que as licitações sejam suspensas e as obras interrompidas. ''Temos uma base sólida para pedirmos a suspensão da licitação que é a fraude, caracterizada pela denúncia e pelo inquérito policial. A fraude foi constatada devidamente. Tanto que foi decretada a prisão preventiva dos acusados. Mesmo com o processo em andamento, temos liberdade para suspendermos ou anularmos as licitações'', disse.
A primeira licitação, de número 02/2004, não teve concorrentes por suposta pressão dos empreiteiros que ofereceram valores superiores ao limite máximo estipulado pelo governo. Nova licitação foi realizada, com obras distintas e valor estimado em R$ 66,2 milhões (25% a mais do que na primeira concorrência).
A Operação Grande Empreitada, como foi chamada, revelou que a licitação teria sido superfaturada depois de pressão de empreiteiras ligadas à Associação Paranaense dos Empresários em Obras Públicas (Apeop), que teriam questionado o valor da primeira concorrência do PIT, estimado em R$ 52,3 milhões.
Um dos diretores da Comec, Lucas Bach Adada, foi preso como sendo um dos facilitadores do negócio com as empreiteiras. Hoje, ele é considerado foragido da Justiça. Na oportunidade, o secretário de Estados de Assuntos Metropolitanos, Edson Strapasson, defendeu processo licitatório alegando que em momento algum houve superfaturamento.
Além de Adada, são considerados foragidos o presidente da Apeop, Emerson Gava, o vice-presidente, Fernando Afonso Gaissler Moreira, Lucídio Bandeira Rocha Neto, Carlos Henrique Machado, também ligados à associação; e o empresário Mário Henrique Furtado Andrade. Nenhum foi preso até agora.
O advogado Caio Fortes de Matheus disse que nenhum dos que tiveram prisão decretada pretendem se apresentar. ''Somente com o interrogatório, ele (Adada )poderá esclarecer as principais dúvidas que o Ministério Público tem e provar que é inocente'', disse ele.


