PFs ficam em celas no Corpo de Bombeiros
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sexta-feira, 14 de março de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Dos 22 policiais federais presos acusados de participar de um esquema de contrabando na fronteira, 19 foram transferidos ontem para Corpo de Bombeiros, em Foz do Iguaçu. A remoção marca o desfecho temporário da polêmica quanto ao destino dos agentes. Eles receberam tratamento diferenciado em relação aos outros 16 presos acusados de integrar a quadrilha. A rede foi desbaratada na quarta-feira, na chamada Operação Sucuri.
Os 19 agentes foram removidos à tarde para o Corpo de Bombeiros num ônibus, blindado e escoltado, da própria Polícia Federal. Eles saíram do auditório, onde permaneciam abrigados, direto para o veículo, que estava na entrada da garagem da delegacia. A maioria usava um boné branco, numa aparente tentativa de ocultar os rostos das câmaras da imprensa.
Anteontem, os dez intermediários presos foram encaminhados para a superlotada Cadeia Pública de Três Lagoas. Os quatro fiscais da Receita Federal e os dois patrulheiros seguiram para a delegacia da Polícia Rodoviária Federal. Os federais acabaram no quartel, onde as condições de custódia são consideradas boas, perto as existentes no Cadeião.
Quando anunciou o resultado da Operação Sucuri, o delegado-chefe da PF em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, anunciou que o grupo ficaria na cadeia comum, porém alterou os planos. A mudança ocorreu depois que o advogado de defesa, Oswaldo Loureiro, e o sindicato da categoria criticaram a estrutura precária da unidade e uma eventual represália dos mais de 630 internos.
O delegado-executivo da PF, em Foz, Marcos Antonio Farias, informou que os 19 federais transferidos são presos em flagrante e os outros três que permaneceram na delegacia, presos provisórios (sobre quem recai acusação mais branda). A detenção do trio tem prazo de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Ela pode, ainda, ser transformada em preventiva.
Detidas após cinco meses de investigação, as 38 pessoas serão indiciadas por contrabando, facilitação ao contrabando, corrupção ativa e passiva, crime de prevaricação e formação de quadrilha. Também responderão inquérito administrativo que pode resultar em exonerações. Os mandados de prisão foram expedidos pela Justiça Federal e Ministério Público Federal, que avaliaram as provas coletadas pela PF.
Segundo a polícia, os relatórios conclusivos serão encaminhados à Justiça Federal. A defesa tenta conseguir habeas-corpus para os detidos. Representantes dos fiscais, policiais federais e rodoviários dão assistência aos colegas para garantir o direito de defesa.
Entre os detidos há policiais que já responderam por desvio de conduta, mas nada foi comprovado contra eles. Desta vez, entretanto, existem agentes que confessaram o crime perante as provas apresentadas. Conforme a PF, os policias cobravam R$ 200,00 para permitir a passagem de veículos com contrabando pela Ponte da Amizade.


