Brasília, 16 (AE) - O PFL acredita que o presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou um processo para isolar e enfraquecer o partido politicamente. O objetivo do Planalto, segundo interpretações de pefelistas, é deixar claro que o presidente não quer a repetição da aliança com a centro-direita para a sucessão de 2002. A maior prova disso não foi a omissão de Fernando Henrique em relação à manobra tucana para retirar do PFL o título de maior bancada. Mas uma discreta nota publicada no Diário Oficial da União de hoje.
Assinada pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça
Antonio Augusto Junho Anastasia, a nota determinava a instauração de um processo administrativo disciplinar para apurar a denúncia de que a Polícia Rodoviária Federal teria doado um carro para circular no município de Cabrobó, no sertão pernambucano, para ajudar a campanha do líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE). A abertura do inquérito feita por um ministério comandado pelo PSDB, no dia seguinte a maior derrota sofrida pelo PFL desde que formou a aliança, foi interpretada como uma ação orquestrada para atingir a imagem do partido.
"Mas isso não irá me atingir", limitou-se a dizer o deputado Inocêncio Oliveira. O inquérito aberto pela polícia federal terá um prazo de 60 dias para concluir se o superintendente regional da Polícia Rodoviária Federal, Ozéas Das Neves do Nascimento - afilhado político de Inocêncio - teria usado indevidamente um carro da instituição para campanha política, transformando-o em ambulância. Apesar da denúncia ter sido feita há duas semanas, nada ficou comprovado contra o deputado Inocêncio Oliveira. Por isso a suspeita de mais uma manobra tucana para enfraquecer o líder do partido e o próprio PFL.
Outro fato que aumentou ainda mais as suspeitas tucanas, foi o recado pelos jornais do próprio Fernando Henrique, de que seu sucessor sairá da área social do governo e que o PSDB comandará a aliança em 2002. "Não existe nada por acaso em política", disse um integrante da executiva do PFL. "Também fica muito difícil acreditar que Fernando Henrique não sabia das manobras do deputado Aécio Neves para enfraquecer o nosso partido", disse esse pefelista, acrescentando que o líder tucano jamais teria forças para agir sozinho.
Dentro do próprio governo a notícia é confirmada. "O Planalto mandou um recado para o PFL de que agora em diante o tratamento será diferente; só não vê quem não quer", disse um ministro. Recentemente, o próprio Fernando Henrique teria dito para um interlocutor que iniciaria um processo de afastamento dos pefelistas. O objetivo do presidente, segundo essa fonte, seria uma aproximação com a centro-esquerda em 2002. "Acho que o presidente está querendo fazer um acordo com o PPS", ironizou o vice-presidente do PFL, senador José Jorge (PE).
A ação tucana acabou enfraquecendo o ato político - marcado para amanhã (17)e pela executiva pefelista - que dará posse a governadora Roseana Sarney (PFL-MA) na presidência da comissão do partido que cuidará das eleições de 2000 e 2002. Nem mesmo o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) ficou para a solenidade política. Ele preferiu viajar em silêncio para a Bahia. "Eu quero entender o que o presidente Fernando Henrique quis fazer com tudo isso", questionava o senador José Jorge, perplexo com as recentes ações do Planalto.

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