PFL tenta manter equilíbrio regional com eventual saída de Greca5/Mar, 18:49 Por Christiane Samarco Brasília, 5 (AE) - O PFL foi surpreendido pelas críticas públicas do presidente Fernando Henrique Cardoso ao ministro pefelista do Esporte e Turismo, Rafael Greca, mas não será obstáculo à sua eventual demissão. Diante da confissão presidencial de que "foi um erro" nomear Greca ministro, o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), admite que não há nada que o partido possa fazer para mantê-lo no posto e adianta até que considera "normal" sua dispensa. Avisa, porém, que nem por isso o PFL abre mão da vaga de seu filiado na Esplanada dos Ministérios. "Se amanhã o presidente Fernando Henrique não quiser mais o Waldeck Ornélas (ministro da Previdência Social na cota pefelista do senador Antônio Carlos Magalhães) ou o Greca, é normal; o regime é presidencialista e ele pode escolher os substitutos", diz Bornhausen. Não é bem assim. Greca é reconhecido dentro e fora do PFL como um ministro indicado pelo presidente do partido, embora Bornhausen negue ter forçado sua nomeação e saliente que prefere até não indicar ninguém no caso de haver substituição. "Mas se o presidente fizer mudança, o nome terá que sair do PFL do Centro-Sul", sentencia. O destino de Greca será selado durante a viagem do presidente Fernando Henrique a Portugal, para o lançamento dos festejos dos 500 anos do descobrimento do Brasil, nesta terça-feira. Greca e o presidente nacional do PFL estarão na comitiva presidencial e planejam conversar com Fernando Henrique sobre as conveniências do governo e do partido já durante o vôo. Diante das críticas de Fernando Henrique publicadas pela revista "Época" no fim de semana, Greca telefonou a Bornhausen para aconselhar-se e ouviu a sugestão de manter-se na comitiva para esclarecer melhor a questão, caso não haja fato novo até lá. Bornhausen deverá repetir as mesmas ponderações feitas há pouco mais de um ano, na conversa que teve com o presidente no episódio da indicação de José Sarney Filho (PFL-MA) para o Ministério do Meio Ambiente. A escolha, feita para agradar a aliada que governa do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), e seu pai, senador José Sarney (PMDB-AP), teve o discreto patrocínio do senador baiano Antônio Carlos Magalhães. Mas como não houve consulta prévia ao partido, ao ser comunicado Bornhausen ponderou ao presidente que o primeiro escalão do governo deveria incluir um pefelista de Pernambuco e outro do Centro-Sul. Tudo para manter o equilíbrio interno de forças no PFL. Considerou-se, à época, um argumento que continua atual: o senador Antônio Carlos já contabilizava como parte de seu quinhão na Esplanada as cadeiras de ministro da Previdência e das Minas e Energia. A solução dada pelo Planalto foi a nomeação do pernambucano Emílio Carazai para a presidência da Caixa Econômica Federal (CEF), com Greca no Esporte e Turismo. E é exatamente essa distribuição regional do poder que Bornhausen faz questão de manter agora. Um ministro de Estado muito próximo do presidente garante que também foi surpreendido com as declarações do chefe e que não há nenhuma articulação do Planalto para "livrar" o governo da "presença incômoda" de Greca. "Que o presidente está insatisfeito com o ministro, eu não tenho dúvidas, mas nada do que ele disse sobre o Greca estava combinado", contou o ministro, convencido de que Fernando Henrique não repetiria o "escorregão" se pudesse voltar atrás. Mas o PFL não acredita em ato falho, até porque o presidente repetiu duas vezes que foi um erro nomear Greca ministro. O fato despertou no partido um clima de irritação e até um certo cansaço com as declarações "inoportunas" do presidente. Diante disso, o partido mantém-se firme na defesa da probidade de Greca mas considera que não há mais nada a fazer para segurá-lo no posto, especialmente se Fernando Henrique não o quiser mais na equipe. Escorregão à parte, o presidente tem pelo menos um ponto a seu favor, caso decida dar consequência a suas críticas. Tanto seus auxiliares mais próximos quanto correligionários e amigos do ministro concordam que, no lugar de Greca, facilitariam a vida do presidente, apressando a carta de demissão.