Brasília, 14 (AE) - O PFL voltou a pressionar o governo para abrir a discussão sobre o reajuste do salário mínimo para o equivalente a US$ 100. O presidente nacional do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), foi ao plenário do Senado para anunciar que o ministro da Fazenda, Pedro Malan, havia enviado um fax convidando a comissão criada para discutir o assunto a um encontro com a equipe econômica. Evitando desmentir Bornhausen, assessores próximos ao ministro informaram que Malan está aberto ao diálogo, porém não pretende antecipar a decisão sobre o salário mínimo, que será divulgada apenas em meados de abril.
"O PFL quer o diálogo para que, com responsabilidade, possamos conseguir o melhor e o possível, evitando um veto do Executivo", disse Bornhausen. Colaboradores de Malan adiantaram que o encontro não tem data marcada e o ministro se limitou a responder recado que recebeu do presidente do PFL, na semana passada. Bornhausen enviou a Malan uma cópia de nota do partido propondo a discussão do mínimo, acompanhada de bilhete sugerindo a conversa com o ministro.
O secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, reafirmou hoje que o reajuste do salário mínimo ainda não está em discussão dentro do governo. "Não há nada decidido", afirmou, frisando que não há inconveniente em uma conversa entre o ministro da Fazenda e políticos que defendam o aumento.
O presidente do PFL está confiante em um acordo que satisfaça ao governo e ao partido, como o que tornou viável a criação do Fundo de Combate à Pobreza e Erradicação da Miséria, proposto pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). "O fundo provou que é possível utilizar formas engenhosas para atingir determinados fins sem aumentar a carga tributária", disse o senador.
Propostas - Inaugurando um novo bordão - "O PFL avança sem nunca recuar" - o presidente do partido garantiu que o aumento do salário mínimo será resolvido de forma criativa. Além do projeto do deputado Luiz Antônio de Medeiros (SP), os pefelistas estão examinando outras duas propostas do economista Paulo Rabello de Castro. Uma delas estabelece uma tabela cuja faixa de reajuste incide apenas sobre o primeiro degrau da escala salarial, "minimizando o impacto salarial", explicou, garantindo que tenham aumento os trabalhadores que recebem um salário mínimo.
Outra sugestão é uma revisão da velha idéia de desvincular o mínimo da Previdência Social, criando um salário de referência previdenciário. Segundo Bornhausen, o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, prontificou-se a participar do exame dessa proposta. Em seu discurso, o senador respondeu, sem referir-se a nomes, às ironias do presidente nacional e líder do PMDB, senador Jader Barbalho (PA): qualificou as críticas como opiniões isoladas que procuraram denegrir a posição do partido, inserindo-a como demagógica, eleitoreira e contrária à austeridade.

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