Brasília, 30 (AE) - O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), rechaçou hoje qualquer possibilidade de o Brasil decretar moratória e voltou a defender a privatização de estatais como um sinal positivo do governo para debelar a crise. Segundo ele, a BR Distribuidora, braço da Petrobrás que comercializa combustíveis; a Sasse Seguradora, subsidiária da Caixa Econômica Federal (CEF), e a BB DTVM, distribuidora de títulos do Banco do Brasil - já em processo de venda - devem ser incluídas no programa de desestatização imediatamente.
"São coisas simples, que darão ao mercado financeiro internacional um sinal de que o País está no rumo certo", disse. "Não podemos ficar na contramão do mundo." O presidente do PFL também afirmou, ao chegar a Brasília, que "não haverá moratória nem calote".
De acordo com Bornhausen "o melhor lugar para se deixar o dinheiro é no banco, e aplicado". O senador catarinense cobrou transparência nas informaçäes transmitidas pela equipe econômica. "No tumultuado processo financeiro que vivemos, quanto mais transparência melhor", afirmou Bornhausen. Ele acredita que "o nervosismo" no mercado tende a se normalizar conforme o governo explique claramente a sociedade o que está sendo feito.
Propostas - O PFL, disse Bornhausen, já acionou um grupo de economistas que farão sugestäes para resolver os problemas econômicos do País, "no curto, médio e longo prazos". As propostas vão ser levadas ao governo. No curto prazo, disse, o PFL apóia as reformas política e tributária, mas a revisão do sistema tributário nacional deve ser precedida de uma revisão do pacto federativo, no sentido da redistribuição das competências da União, estados e municípios, para "não haver dualidades".
"Não adianta fazer reforma tributária se o ensino fundamental, por exemplo, continuar sendo atribuição dos municípios enquanto a arrecadação dos recursos ficar restrita aos Estados e à União." No caso da reforma política, o senador defendeu que se restrinja à fidelidade partidária e cláusula de barreira, proposta apoiada pelo governo. O PFL também voltará a propor ao governo a capitalização do sistema previdenciário, incluindo o regime dos servidores públicos. "Não há como fugir disso", disse Bornhausen.

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