PFL muda discurso e pede salário de US$ 150 em seis anos
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terça-feira, 22 de fevereiro de 2000
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 23 (AE) - O PFL vai apresentar amanhã (24) ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, uma nova proposta de reajuste para o salário mínimo: no prazo de seis anos o valor chegaria a um patamar equivalente a US$ 150 (hoje R$ 267). O partido resolveu mudar o enfoque do debate ao perceber que o salário mínimo em maio não atingirá o equivalente a US$ 100 (R$ 178), sua bandeira inicial. A nova proposta já foi transformada em projeto de lei, de autoria do deputado Ney Lopes (PFL-RN). "Além de uma solução conjuntural, queremos que o mínimo cresça paralelamente ao desenvolvimento da economia", justificou o senador José Jorge (PFL-PE), presidente da comissão criada pelo partido para estudar este tema.
Na conversa que terá com Malan, o senador irá detalhar o novo estudo do partido. A proposta vincula um aumento real do mínimo ao dobro do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Isso assegura ao trabalhador uma participação efetiva no lucro nacional, recuperando as defasagens anteriores do salário mínimo", explicou o deputado Ney Lopes. Na outra frente de atuação, o projeto propõe a criação do Índice de Preço do Salário Mínimo (IPSM), que refletirá a variação efetiva dos preços de alimentação, moradia, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene transporte e previdência. Esse índice corrigirá anualmente o valor do salário, somado ao crescimento do PIB. A proposta também prevê a desvinculação do mínimo a Previdência, levantando um dos temas mais polêmicos na base aliada.
PSDB - "Acho que um mínimo de US$ 150 pode ser até modesto se levarmos em consideração a previsão de taxas elevadas de desenvolvimento da economia nos próximos anos", disse o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga.
Segundo um cacique pefelista, o partido percebeu a movimentação do PSDB em tentar tirar do partido a paternidade da bandeira do mínimo e, para não perder o debate, resolveu mudar a estratégia. Não abrirá mão do aumento imediato, mas irá centrar forças no projeto estrutural. Segundo uma fonte do governo, o aumento será maior do que os 7% previstos inicialmente pela equipe econômica. Porém, não atingirá o patamar de US$ 100. A idéia é um aumento de 10%, elevando o mínimo para R$ 150.


