PFL lança Tuma candidato a prefeito de SP para combater tucanos16/Mar, 21:30 Por Diana Fernandes Brasília, 16 (AE) - O PFL definiu a ofensiva contra o PSDB paulista em resposta ao envolvimento de um dos principais cardeais do partido, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (BA), nas denúncias de corrupção na Prefeitura de São Paulo. Convencidos de que as declarações da primeira-dama Nicéa Camargo Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN), foram orquestradas por políticos tucanos de São Paulo, os pefelistas vão investir pesado na candidatura do senador Romeu Tuma (SP) à sucessão na Prefeitura, numa chapa pefelista. É tudo o que o partido tem contra a candidatura do vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), que contava até pouco tempo atrás com a simpatia do vice-presidente Marco Maciel. "Foi, indiscutivelmente, um serviço prestado ao governador Mário Covas (PSDB)", dizia ontem um dos caciques pefelistas, referindo-se à acusação feita pela primeira-dama sobre a suposta participação de ACM em um jogo de pressão sobre Celso Pitta para liberar pagamentos da Prefeitura à OAS. O senador baiano é um dos cardeais pefelistas que mais acredita na participação direta de tucanos no episódio e, em conversas reservadas, atribui a responsabilidade ao governador Covas e ao ministro da Saúde, José Serra. Ontem (15), o assunto foi o tema principal de um almoço entre ACM, Maciel e o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Nenhum deles decidiu ainda explicitar para o público de fora a posição de desconfiança em relação aos tucanos mas a impressão deixada em conversas com seus liderados é de que eles estão convencidos de que só ao PSDB paulista interessava prejudicar o PFL e ACM. "Foi péssimo para o PFL ver o senador Antonio Carlos na galeria de bandidos da Prefeitura", diz a mesma fonte, insistindo na tese de que o beneficiário imediato de todas as denúncias é mesmo Covas, que apareceu nas declarações de Nicéa Pitta como o contraponto do malufismo. "Ele (o governador) deve até melhorar sua avaliação nas próximas pesquisas", arrisca o pefelista. Segundo ele, ACM está muito "ferido" com o processo. A única preocupação dos dirigentes pefelistas - especialmente Bornhausen e Maciel - é a de isentar o presidente Fernando Henrique Cardoso de qualquer participação no episódio. Essa manifestação de confiança quase que exclusiva na figura do presidente ficou clara hoje nos discursos de Bornhausen e ACM, durante a entrega do Prêmio Luís Eduardo Magalhães, no Congresso. Deferências apenas a FHC. Se houve ou não algum interesse tucano nas palavras de Nicéa contra ACM, o estrago foi feito. "É difícil provar essa participação, mas a desconfiança já fez com que piorasse muito nossas relações com o PSDB; esse episódio quebrou de vez a confiança que ainda restava", avalia outro líder pefelista, lembrando do último embate com os tucanos na disputa pela maior bancada na Câmara dos Deputados, quando o PFL perdeu para o PSDB. Contra essa suspeita do PFL, Covas faz o mesmo desafio que fez ao ex-prefeito Paulo Maluf: se ficar provado que manteve algum contato com Nicéa, ele renuncia ao mandato. Em defesa de Covas, Serra e dos tucanos paulistas, dirigentes do PSDB - que também preferem não polemizar publicamente - usam o argumento de que a reação de ACM, ao suspeitar dos tucanos, era a que mais lhe convinha politicamente - atribuir ofensas a interesses dos inimigos.

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