Rio, 24 (AE) - A cúpula do PFL decidiu intervir no diretório regional do Rio para evitar que "condistas" e "cesaristas" façam chapas diferentes na convenção do próximo dia 6 de março e tentar impedir o racha por causa da candidatura a prefeito em 2000. O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), comunicou hoje ao prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde, que o diretório carioca do partido, de 45 membros, será dividido igualmente entre partidários do próprio Conde, do ex-prefeito Cesar Maia e pessoas indicadas por deputados federais da legenda.
Magalhães comunicou a Conde que nenhum dos dois grupos em disputa será favorecido na disputa. O grupo de Maia, porém, saiu em desvantagem: dois de seus políticos mais destacados, os deputados federais Rodrigo Maia (filho do ex-prefeito) e Eduardo Paes foram excluídos do grupo de parlamentares que vai escolher um terço dos membros do diretório municipal. Conde declarou-se satisfeito com a decisão da cúpula do PFL de intervir na disputa e divulgou nota na qual se disse "de acordo com a proposta da direção nacional".
"O momento é de união, para enfrentarmos os dias difíceis que o País vive, e de trabalho para superar as dificuldades", disse Conde na curta declaração divulgada por sua assessoria. No texto, o prefeito não fez referência a Maia, que tem, nas últimas semanas, criticado sua administração e insistido que não é candidato a voltar ao Palácio da Cidade. O ex-prefeito, aparentemente, avalia estar em desvantagem na disputa. Especula-se que Maia poderá deixar o PFL para disputar por outro partido o cargo no ano que vem, ironicamente em oposição a Conde
que lançou na política e cuja candidatura apadrinhou.
Racha - A crise do PFL carioca começou em janeiro, quando Maia disse que pretendia "conduzir o processo" da sucessão de Conde, a quem avisou que a escolha do candidato pefelista à Prefeitura do Rio só deveria ocorrer em abril ou maio de 2000. O prefeito, que se considera candidato natural à reeleição e queria que o partido o consagrasse nessa condição ainda em janeiro de 1999, não gostou do que considerou um ato autoritário e um sinal de que Maia queria concorrer. Seguiu-se uma fase de troca de insultos entre os partidários dos dois políticos, e de críticas técnicas" de Cesar à administração.
Os dois grupos também começaram a fazer filiações, visando à convenção do partido marcada para março que terá influência na escolha do candidato do partido às eleições do ano que vem. O clima de racha se acirrou, e a executiva regional do PFL decidiu reafirmar, em reunião em fevereiro, decisão da direção nacional que frisava que todos os prefeitos pefelistas são candidatos naturais à reeleição. Maia, que ressaltava que só seria candidato se Conde não estivesse bem nas pesquisas eleitorais, passou a dizer que não iria à convenção. Manteve, porém, os ataques "técnicos" a Conde, que a cúpula nacional do PFL espera que, agora, pare.

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