Rio, 24 (AE) - O prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL), declarou-se satisfeito com a decisão da cúpula nacional do PFL de intervir na disputa que divide entre "condistas" e "cesaristas" (partidários do ex-prefeito Cesar Maia) os pefelistas cariocas por causa da indicação do candidato à sua sucessão em 2000. Ele divulgou, no fim da tarde, nota em que se disse "de acordo com a proposta da direção nacional", que impôs uma chapa de consenso composta por representantes das duas correntes em disputa e deputados federais do partido. O PFL nacional tenta evitar o racha.
"O momento é de união, para enfrentarmos os dias difíceis que o País vive, e de trabalho para superar as dificuldades", diz Conde na curta declaração divulgada por sua assessoria. No texto, o prefeito não fez referência a Maia, que tem, nas últimas semanas, criticado a administração de Conde, mas tem insistido que não é candidato a voltar ao Palácio da Cidade. O ex-prefeito, aparentemente, avalia estar em desvantagem na disputa. Especula-se que Maia poderá deixar o PFL para disputar o cargo no ano que vem, ironicamente em oposição a Conde, que lançou na política e cuja candidatura apadrinhou.
A crise do PFL carioca começou em janeiro, quando Maia disse que pretendia "conduzir o processo" da sucessão de Conde, a quem avisou que a escolha do candidato pefelista à Prefeitura do Rio só deveria ocorrer em abril ou maio de 2000. O prefeito, que se considera candidato natural à reeleição e queria que o partido o consagrasse nessa condição ainda em janeiro de 1999, não gostou do que considerou um ato autoritário e um sinal de que Maia quer concorrer. Seguiu-se uma fase de troca de insultos
pelos jornais, entre os partidários dos dois políticos, e de críticas técnicas" de Cesar à administração.
Os dois grupos também começaram a fazer filiações, visando à convenção do partido marcada para março que terá influência na escolha do candidato do partido às eleições do ano que vem. O clima de racha se acirrou, e a executiva regional do PFL decidiu reafirmar, em reunião em fevereiro, decisão da direção nacional que frisava que todos os prefeitos pefelistas são candidatos naturais à reeleição. Maia, que ressaltava que só seria candidato se Conde não estivesse bem nas pesquisas eleitorais, passou a dizer que não iria à convenção. Manteve, porém, os ataques "técnicos" a Conde, que a cúpula nacional do PFL espera que, agora, suspenda.

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