PFL escolhe Medeiros para ser vice de Tuma
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sábado, 22 de abril de 2000
Por Flávio Mello 
São Paulo, 23 (AE) - Os diretórios nacional e estadual do PFL escolheram o deputado federal Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP), que saiu na frente com a proposta do salário mínimo equivalente a US$ 100,00, como vice do pré-candidato do partido, senador Romeu Tuma (PFL-SP). A decisão, que os dirigentes da legenda prometem ratificar na convenção prevista para o último domingo de junho, praticamente põe fim às eventuais alianças com partidos e reforça a tendência de uma chapa "pura" na sucessão do prefeito Celso Pitta (PTN).
"A composição precisa ser homologada, mas a decisão já foi tomada pelos diretórios nacional e estadual", afirmou hoje o presidente estadual do PFL, Cláudio Lembo. Ele disse que, com base em pesquisas de opinião pública, o partido acredita que Medeiros fortalecerá a pré-candidatura Tuma na periferia da cidade.
As últimas pesquisas realizadas pelo Instituto Vox Populi para os peefelistas indicam que, em alguns cenários, Tuma dispõe até de 14% das intenções de voto do eleitorado paulistano. Ao explorar a figura do "xerife", os dirigentes do partido apostam que há chance de a pré-candidatura crescer ainda mais.
Com a escolha de Medeiros, a chapa seria fortalecida com um discurso mais social. O deputado-sindicalista protagonizou, nos últimos meses, a polêmica ocorrida em torno do reajuste do salário mínimo.
Ele foi o autor do projeto de lei que propunha aumentar o valor do salário mínimo para o correspondente a US$ 100,00. A proposta não só foi defendida como acabou tornando-se uma das principais bandeiras do PFL em ano eleitoral, apesar da resistência da equipe econômica do governo federal.
A equipe econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi contrária à proposta do PFL. O principal argumento é que o reajuste nas proporções defendidas pelos pefelistas repercutiriam diretamente nas contas da Previdência Social e colocariam em risco o esforço para manter o ajuste fiscal.
Coligações - Se a decisão pela candidatura própria com uma chapa já batizada de "puro-sangue" for ratificada na convenção
o PFL demonstrará realmente estar disposto a levar adiante o plano de fortalecer a legenda em São Paulo. Nos últimos anos, o partido ficou a reboque de lideranças locais com tendência de direita.
O principal beneficiado foi o presidente nacional do PPB e ex-prefeito Paulo Maluf. Maluf sempre insistiu nas alianças com o PFL, principalmente por causa do tempo de televisão que a coligação lhe garantiria. Com a nova decisão, eventuais coligações estão praticamente descartadas. Os dirigentes do PFL conversavam, desde o início do ano, com o PSDB, PMDB e, em menor intensidade, com o PPB de Maluf.
Lembo e o vice-presidente estadual do PFL, deputado federal Gilberto Kassab (PFL-SP), comunicaram o pré-candidato do PSDB, o vice-governador, Geraldo Alckmin, da decisão na segunda-feira passada. "Nós o liberamos porque assim não ficam presos à espera do PFL", contou Lembo.
Os entendimentos com o presidente do diretório municipal do PMDB, João Oswaldo Leiva, e o ex-governador Orestes Quércia, também não devem prosperar. Os dirigentes do PFL esperam novas ofensivas de Maluf, mas adiantaram que o ex-prefeito dificilmente terá êxito.
Perda - Vereadores do PSDB, que pediram para não seren identificados, disseram hoje que a decisão deve ter sido imposta pelos dirigentes nacionais do PFL. A princípio, os parlamentares tucanos entendem que a nova posição é ruim para o PSDB, porque se a coligação fosse aprovada teriam mais da metade do horário eleitoral gratuito na televisão.


