PFL entra na briga com o PMDB pelo imposto verde
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 10 (AE) - O PFL entrou na briga para receber uma fatia do Imposto Verde. No final da tarde, o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) autorizou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho (PFL-MA), a começar a articular no partido a aprovação do Imposto Seletivo sobre Combustíveis. Mas longe de receber uma ajuda significativa, o PMDB - maior interessado na aprovação do novo tributo - acabou ganhando uma enorme dor de cabeça com o repentino interesse dos pefelistas. Isso porque o PFL irá impor como condição para aprovar o Imposto Verde que o Ministério do Meio Ambiente fique com 40% da arrecadação total do tributo.
"A causa ambientalista tem prestígio", disse Sarney Filho assim que saiu da presidência do Senado. "Agora vou começar a trabalhar pela aprovação do novo imposto", completou ministro pefelista, sem esconder o entusiasmo.
O novo tributo irá assegurar uma arrecadação adicional de R$ 5,4 bilhões. Esse recurso será usado para a criação de um Fundo Nacional de Transportes com o objetivo de recuperar estradas, portos e ferrovias.
Na semana passada, o PMDB chegou a condicionar a aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) à criação do Imposto Verde. O recurso adicional será utilizado para a execução de emendas parlamentares que foram associadas ao tributo no Orçamento Geral da União. O PMDB não gostou de saber que o PFL quer abocanhar 40% do dinheiro. O ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, sempre evitou o termo "Imposto Verde" ao se referir ao Imposto Seletivo sobre Combustíveis, para evitar qualquer associação com a área de Meio Ambiente.
"Não concordo e nem discordo", limitou-se a dizer o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). "Esse assunto terá que ser discutido", comentou. Nos bastidores do PMDB a notícia foi mal recebida. Afinal, dividir entre dois partidos um total de mais de R$ 5 bilhões acabará enfraquecendo o projeto de poder do PMDB. "Acho que não dá para politizar o assunto", ponderou Geddel. Mesmo assim, ele não escondeu o desconforto ao saber da notícia. "Agora não sei se seria uma boa solução vincular este imposto ao Meio Ambiente."


