PFL e PT decidem boicotar medidas contra reajuste do mínimo14/Mar, 19:04 Por Rosa Costa Brasília, 14 (AE) - O PFL e o PT decidiram hoje boicotar no Congresso qualquer medida que venha a impedir um reajuste maior para o salário mínimo. "Não vamos aceitar nenhuma medida que atropele os trabalhos do Congresso", afirmou o deputado Paulo Paim (PT-RS). No acerto feito pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), com o deputado Luiz Antonio de Medeiros (PFL-SP) e Paim, foram definidos os seguintes compromissos: 1) rejeitar uma eventual medida provisória (MP) que tente atropelar os trabalhos da comissão especial do salário mínimo; 2) exigir para o mínimo um porcentual de reajuste igual ou maior do que o do teto salarial; 3) votar o reajuste do mínimo ao mesmo tempo ou antes do teto salarial; 4) impedir qualquer tentativa do governo de desvincular aposentadorias e pensões do salário mínimo; 5) recusar o repasse de recursos do fundo da pobreza para cobrir o aumento do mínimo. É a primeira vez que os dois partidos se entendem sobre algum assunto. Até então, o que havia era Paim encabeçando o movimento da oposição para aumentar o reajuste do mínimo, enquanto o PFL procurava obstruir qualquer iniciativa nesse sentido. A mudança começou em dezembro, por iniciativa de ACM e, hoje, essa aliança passou a ser um dos assuntos que mais incomodam o governo no Congresso. Medeiros informou que será feito um trabalho para que os demais partidos encampem essa posição. "É preciso que, de uma vez por toda, se dê um aumento digno para o mínimo." Para ACM, o Congresso tem uma posição favorecida nesse assunto, uma vez que lhe cabe decidir em última instância. "O Palácio do Planalto tanto pode fazer a proposta (do mínimo) como pode a vetar", argumentou. "Mas o Congresso tanto pode fazer a proposta como pode rejeitar o veto." Apesar de a situação se mostrar difícil para o Executivo o líder do governo, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), mostrou-se confiante quanto à possibilidade de um acordo que satisfaça a todas as partes envolvidas. "A discussão está entrando no leito racional", defendeu. Segundo ele, é a primeira vez que todos os participantes do debate estão convencidos sobre a necessidade de encontrar uma fonte de recursos capaz de cobrir um reajuste para o mínimo acima do esperado. O líder entende que a questão pode se tornar mais concreta se passar a ser tratada paralelamente ao exame da proposta orçamentária deste ano. Ele rejeitou a sugestão do PPS de usar os recursos do fundo da pobreza no reajuste do salário mínimo. "Seria deturpar toda a proposta", justificou. Da conversa com ACM, Paim e Medeiros saíram convencidos que têm o apoio dele para defender os projetos que reduzem no País a diferença entre o maior e o menor salário. Uma das dessas propostas, do senador Pedro Simon (PMDB-RS), aprovada no Senado, aguarda a decisão da Câmara. Paim disse que tramitam na Câmara cerca de dez projetos com a mesma finalidade.

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