PFL e PSDB tentam proteger ACM no depoimento de Pitta
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segunda-feira, 20 de março de 2000
Por Gilse Guedes 
Brasília, 21 (AE) - O PFL e o PSDB pretendem evitar que o prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), que participa amanhã (22) de uma audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) sobre a renegociação da dívida municipal com a União, seja pressionado pela oposição a discutir o suposto esquema de corrupção em São Paulo detalhado nas denúncias da primeira-dama Nicéa Pitta. Tanto o PFL quanto o PSDB querem que o depoimento de Pitta sirva apenas para fornecer subsídios para a rolagem da dívida de São Paulo e não seja usado como palco das acusações que envolveram o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Para o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), a audiência pública não pode ser usada para que assuntos diferentes do objetivo sobre o acordo de rolagem da dívida, de R$ 10 bilhões, sejam tratados. Mas na avaliação do senador Pedro Simon (PMDB-RS), a confirmação feita hoje na Justiça das denúncias contra ACM vai "esquentar" o depoimento de Pitta na comissão. "Para o PFL, seria bom que o Pitta nem tivesse sido convocado para falar, porque há denúncias envolvendo Gilberto Miranda e ACM", disse Simon.
O ex-senador Gilberto Miranda teria sido intermediário de ACM para pressionar Pitta a pagar dívidas da empreiteira OAS, do qual o ex-genro do senador é sócio, com a Prefeitura, segundo acusação de Nicéa. De acordo com ACM, a negociação da dívida não pode transformar-se em uma "vingança" contra Pitta. "Eu acredito que os senadores da CAE votarão conforme suas consciências", disse o ACM. Até o fim da tarde, ele evitou fazer comentários sobre o fato de Nicéa ter confirmado as acusações na Justiça.
Para Simon, não há "interesse" da maioria dos senadores da CAE, formada pelos partidos da base aliada, em transformar a audiência em cenário de "massacre" contra Pitta e um palanque da disputa eleitoral em São Paulo. "Vão ficar muito em cima do empréstimo e devem falar sobre precatórios", declarou Simon.
Ele salientou, no entanto, que as acusações envolvendo o presidente do Senado são pouco consistentes, porque considera que ACM não é o "tipo de homem" capaz de pressionar Pitta a pagar uma dívida da Prefeitura com a OAS. "Gilberto Miranda é homem para fazer isso, mas ACM não."
O relator da mensagem do executivo sobre a rolagem da dívida de São Paulo, senador Romero Jucá (PSDB-RR), quer evitar que a negociação seja politizada, porque o acordo de rolagem poderia ser aprovado num formato que traria prejuízos a São Paulo. "Pagar em 10 anos o que se poderia pagar em 30 anos pode retirar a capacidade de intervenção da Prefeitura e sobrecarregar o próximo prefeito", disse Jucá. Pitta defende que a dívida de R$ 10 bilhões seja paga em 30 anos, enquanto senadores querem que a rolagem seja, em parte, feita em 10 anos.


