PFL e PSDB devem ter candidatos próprios a prefeito de SP
PFL e PSDB devem ter candidatos próprios a prefeito de SP18/Mar, 19:39 Por Mônica Gugliano São Paulo, 18 (AE) - O PFL e o PSDB enfrentarão um dos mais amargos testes da relação entre os dois partidos na disputa pela Prefeitura de São Paulo este ano. O verdadeiro alvo, porém, não é o Palácio das Indústrias, sede do governo municipal. Mas o Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente Fernando Henrique Cardoso. Diferentemente do que ocorreu na última eleição municipal, quando tucanos e pefelistas tiveram candidatos distintos, mas se mantinham unidos pelo projeto de reeleição de Fernando Henrique, desta vez, os dois pensam em seguir carreira solo rumo à Presidência da República. Já desgastados com os tucanos por divergências como a que envolve o porcentual de reajuste para o salário mínimo e a que surgiu com o bloco que uniu na Câmara dos Deputados o PSDB ao PTB e lhes tirou o posto de maior bancada da Casa, os pefelistas lançam segunda-feira (20) a candidatura do senador Romeu Tuma (SP) à sucessão do prefeito Celso Pitta (PTN). "Aliança pressupõe interesses comuns e nós não temos mais", disse um cacique do PFL, acrescentando que a eleição deste ano é uma ponte para 2002. "Para chegar lá, será preciso cacifar-se, e não há cacife melhor que a Prefeitura de São Paulo." O lançamento da candidatura de Tuma, que não estava programado para agora, foi antecipado, depois de a cúpula do partido concluir que não é infundada a suspeita de que as denúncias da primeira-dama, Nicéa Pitta, ex-mulher do prefeito Celso Pitta (PTN), teriam sido estimuladas pelo PSDB. Os pefelistas mudaram rapidamente de estratégia, convencidos de que surgiu uma oportunidade imperdível em São Paulo. Terceiro maior orçamento do País, a Prefeitura de São Paulo não é apenas uma ponte para o projeto PFL 2002. É a única chance de o partido conquistar o eleitorado do Sudeste e do Sul, regiões onde sempre teve baixos índices de popularidade. "Montamos esse lançamento de ontem (17) para hoje convencidos de que precisamos de velocidade", comentou um integrante da cúpula do partido. As possibilidades de vencer a eleição municipal, acreditam os pefelistas, cresceram muito com o desgaste do ex-prefeito Paulo Maluf (PPB), um dos principais envolvidos nas denúncias de Nicéa. Sem Maluf, analisam eles, abriu-se um razoável espaço para um candidato de centro, mais conservador. Se o PPB não tiver como o substituir e ficar sem candidato próprio, pode até apoiar Tuma, que será apresentado ao eleitorado como o "xerife" que acabará com a corrupção e deixará a cidade em ordem. "Não faço a menor idéia de como se materializará a candidatura de Maluf, mas é muito cedo para avaliar o que pode acontecer", disse o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB). Articulando uma coligação que pode render ao vice-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o apoio do PTB na disputa pela Prefeitura, os tucanos afastaram-se do PFL. Raciocinam da mesma maneira que o ex-melhor amigo. "O tempo passou, há uma nova dinâmica e a impressão é que a atual composição não dura", comentou um tucano de São Paulo. O PTB comemora o distanciamento de pefelistas e tucanos e trabalha para retribuir o interesse do PSDB. Encantados com o tratamento que recebem do PSDB na Câmara, que lhes entregou o comando da Comissão de Minas e Energia - uma das mais importantes da Casa -, os petebistas trabalharam para eliminar o último obstáculo à aliança: convenceram o ex-governador e hoje deputado Luiz Antônio Fleury Filho a abandonar as pretensões de disputar a sucessão de Pitta. Fleury Filho vai presidir a comissão. "Agora não é a hora de Fleury; sua saída do governo estadual é ainda muito recente", argumentou o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), um dos que articulam a coligação com Alckmin. De acordo com ele, a aliança deverá ser sacramentada até o início de abril.





