PFL do Rio continua em pé-de-guerra, apesar de intervenção
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sábado, 06 de março de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 07 (AE) - A "intervenção branca" decretada pela cúpula nacional do PFL no diretório municipal do Rio, sacramentada na eleição da chapa única "Unidade" ontem (06), não pacificará a seção carioca do partido. Os adeptos do prefeito Luiz Paulo Conde, candidato à reeleição, intensificaram nos últimos dias as filiações - cerca de 10 mil novas fichas foram encaminhadas pelo grupo condista - para se fortalecer internamente. Já os seguidores do ex-prefeito Cesar Maia, que também cobiça a candidatura, não escondem que o caminho pode ser deixar as fileiras pefelistas e ir para outra legenda.
"É uma chapa de união", disse Conde, antes de deixar o Centro Cultural da Mangueira, na Praça Onze. "O PFL é pragmático, não atira no seu próprio pé." O discurso pacifista do prefeito, porém, se chocava com o tenso ambiente interno do partido: Conde chegou ao encontro cercado por cerca de 40 lutadores recrutados em academias de artes marciais. Os musculosos guarda-costas isolaram o palco e fizeram uma barreira atrás da mesa à qual estavam sentados os notáveis da convenção, mas o prefeito fez que não viu. "Ignoro, só estou com os quatro policiais da minha segurança." As preocupações de Conde com possível conflito físico eram infundadas.
Maia e seus adeptos mais conhecidos não foram, o que deu à convenção um tom morno, de cumprimento de decisão superior. Mas era só aparência. "O conflito continua comendo", disse o novo secretário-geral, Jackson Vasconcellos, pró-Maia.
Conde venceu o primeiro round. Maia não conseguiu -porque os caciques nacionais pefelistas, como os senadores Antônio Carlos Magalhães (BA) e Jorge Bornhausen (SC), não deixaram - nem assumir a direção do processo sucessório, nem montar a nova direção municipal, nem lançar chapa dissidente.
Foi obrigado a aceitar a "intervenção branca", que impôs a chapa única, com 15 dirigentes "condistas", 15 "cesaristas" e 15 escolhidos por deputados. Na Executiva, de sete integrantes
dois são pró-Conde, dois, pró-Cesar, e quatro (entre eles, o novo presidente, Rubem Medina), "neutros".
Maia passou a negar a candidatura, mas manteve a crítica "tecnicista" a Conde. Condena o prefeito por não ter recomprado em dezembro, com o dólar a R$ 1,20, os US$ 125 milhões em títulos da prefeitura no exterior que vencem em julho
quando a cotação poderá ir a R$ 1,75, avalia-se no mercado. Conde diz que, se o tentasse, o preço subiria. O prefeito, que queria sair em janeiro de 1999 candidato à reeleição, também mudou o discurso. Passou a defender que a decisão só se dê em abril de 2000 - proposta que era de Maia, agora imposta pela direção nacional.
A facção do ex-prefeito acha que ele perdeu em 1998 por ter tido discurso muito conservador. Isso inviabiliza sua ida para o PPB, que cristalizaria essa imagem no eleitorado. Outra opção, o PTB, é muito fraco na cidade: se o escolhesse, Maia teria que estruturá-lo.


