Brasília, 17 (AE) - A resposta do PFL à ação do PSDB, que tirou dos pefelistas a posição de maior partido na Câmara, pode ser resumida numa frase da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, em ato político, hoje, com toda a executiva do partido: "Perdemos a maioria na Câmara; mas tenho certeza de que ganhamos a liberdade." A liberdade traduz-se por duas frentes de retaliação ao governo: a reafirmação da disposição de lançar uma candidatura própria em 2002 e a decisão de Roseana de que, a partir de maio, nenhum funcionário do Estado receberá salário inferior ao equivalente a US$ 100. "Às vezes, perder não é tão ruim assim", sintetizou a governadora.
Com essa mobilização, o PFL oficializou a independência que o partido promete exercer daqui até o fim do segundo mandato de Fernando Henrique. "Agora, deixaremos de ser mais realistas do que o rei", reforçou o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA). "A nova ordem do partido é ter um olho no rei e um olho na rua", completou, explicitando que o PFL estará mais sintonizado com a opinião popular. "Antes só do que mal acompanhado", resumiu o prefeito do Rio, Luiz Paulo Conde (PFL).
Ao tomar posse da presidência Conselho Consultivo da Comissão PFL - 2000, criada para cuidar da sucessão municipal nesse ano, Roseana fez um discurso contundente, dirigindo-se ao líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE) e ao vice Marco Maciel. Ausência sentida foi a do presidente do Senado, e principal liderança do partido, Antonio Carlos Magalhães, que permaneceu na Bahia.
O evento transformou-se em uma resposta aos tucanos, que, na semana passada, debateram a sucessão de Fernando Henrique. Apesar de todos os pefelistas negarem oficialmente a pré-candidatura de Roseana, o tratamento por ela recebido deixou claro que poderá conquistar a preferência do partido. O discurso da governadora foi aclamado de pé: "Só sou candidata a governar bem o Maranhão", desconversou.
Fernando Henrique preferiu não polemizar o anúncio do aumento do mínimo feito pela governadora. Segundo o porta-voz, Georges Lamazire, o presidente considera a fixação desse valor como "responsabilidade de cada governador". Ele também afirmou que Fernando Henrique não interpretou a decisão de Roseana como "afronta ou pressão" para que dê reajuste equivalente ao mínimo nacional. O presidente recebeu a governadora em um encontro reservado no Palácio do Planalto, fora de sua agenda oficial, no meio da tarde.
Marco Maciel mandou um recado aos tucanos e voltou a defender a reforma política para evitar o troca-troca partidário. Na reunião de hoje da executiva nacional do PFL, também foi aprovada resolução do partido proibindo a candidatura de filiados que estejam respondendo a processo na Justiça.
Ao anunciar que adotaria um mínimo de US$ 100 no governo estadual, Roseana acabou colocando o Executivo federal numa situação delicada, já que nos últimos anos a equipe econômica vem concedendo um reajuste ínfimo, temendo quebrar o Tesouro, Estados e municípios. "Devo lembrar que o Maranhão é um Estado pobre", disse. Quem mais comemorou foi o autor da proposta, deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP). "Acabou o argumento de que o aumento do mínimo quebraria os Estados."
A medida irá atingir 23 mil funcionários do Maranhão que ganham o mínimo, de um total de 90 mil servidores. Isso irá representar um aumento real de R$ 700 mil na folha de pagamento do governo, que é de R$ 60 milhões. O aumento do mínimo será possível porque o comprometimento da receita com a folha é de 58%, ou seja, abaixo dos 60% estabelecidos pela Lei Camata.

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