Brasília, 01 (AE) - A bancada do PFL no Senado decidiu hoje apoiar um eventual pedido de licença do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a participação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) no desvio de R$ 169 milhões dos R$ 263 milhões das obras do fórum trabalhista de São Paulo. O PMDB, partido de Estevão, já havia decidido o mesmo. E a previsão é de que os tucanos acompanhem a posição. Parlamentares de oposição já estão envolvidos no processo de cassação do mandato do senador.
Até agora, a Casa era tida como um "clube de amigos" onde funcionava uma espécie de acordo de auto-proteção, principalmente contra os pedidos do STF para processar seus integrantes. Antes mesmo de seu partido se manifestar, o senador Lúcio Alcântara (PSDB-CE) antecipou que vai apoiar o pedido do tribunal.
Para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), José Agripino Maia (PFL-RN), cabe agora ao próprio Senado tomar uma posição com relação à situação de Estevão. O senador do Distrito Federal foi denunciado pela CPI do Judiciário ao Ministério Público como um dos beneficiados pelo desvio dos recurso das obras. Foram descobertas nas contas de suas empresas R$35 milhões depositados pelas construtoras responsáveis pelo projeto do fórum. A ele são imputados os crimes de enriquecimento ilícito, falsidade ideológica e de atos lesivos ao erário. "O partido tomou uma posição em defesa da respeitabilidade da casa", afirmou Agripino, ao se referir à decisão do PFL.
Para o vice-presidente da CPI, senador Carlos Wilson (PPS-PE), é preciso agora apressar os procedimentos de criação da subcomissão que acompanhará os atos do Judiciário no encaminhamento das denúncias propostas pela comissão. Membro da CPI do do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, o senador Geraldo Althoff (PFL-SC) elogiou a decisão do PFL. Para ele, é importante a opinião pública conhecer a opinião das bancadas. Ele previu que, daqui para frente, "os partidos que ficarem em cima do muro não terão futuro".

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