PFL critica política econômica do governo
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por César Felício e Sônia Cristina da Silva 
Brasília, 30 (AE) - O PFL assumiu hoje, publicamente, a pregação por mudanças imediatas na política econômica do governo federal. Em pronunciamentos simultâneos no Senado e na Câmara, o presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder da bancada dos deputados, Inocêncio Oliveira (PE), sinalizaram a preocupação do partido com a timidez da recuperação econômica. O tom mais agressivo partiu de Inocêncio. "O PFL está à esquerda de Malan", disse o líder, numa referência ao ministro da Fazenda, Pedro Malan. Em um pronunciamento que surpreendeu até os parlamentares de oposição, Inocêncio começou dizendo que "a globalização serviu apenas para fortalecer os ricos". Em tom de autocrítica, o parlamentar indagou: "estamos construindo uma geração de excluídos. O homem brasileiro, hoje, sai de casa sem expectativa de trabalho. Este é o modelo que queremos?".
Depois do discurso, Inocêncio defendeu abertamente a renegociação com o FMI. "O PFL deseja a renegociação com o FMI para fazer cumprir o avanço social e o combate à miséria. Isto não é discurso de esquerda, é realismo com a situação do País", afirmou.
No Senado, Bornhausen evitou críticas abertas ao governo federal. "No mundo moderno, o crescimento pode se dar sem aumento do nível de emprego e até com aumento de desemprego e o que queremos é aumentar os empregos", afirmou, acrescentando que o partido tem manifestado ao governo "suas preocupações e apresentado sugestões".
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), também aderiu ao novo tom do partido, mas procurou demonstrar que a legenda não está sugerindo o afastamento do ministro da Fazenda. "Acredito que o PFL quer renegociar com o FMI, porque tudo que puder dar vantagens ao País conta com o apoio do partido. Minhas idéias sobre o que pode ser modificado no acordo serão levadas ao ministro da Fazenda, e não tratadas publicamente", disse.
A oposição reagiu com ironia às manifestações pefelistas. "Se o PFL, que sempre apoiou Fernando Henrique Cardoso na adoção das medidas que levaram o País a essa crise, estiver mesmo interessado em fazer uma autocrítica, precisa ampliar suas propostas para a redistribuição da riqueza, já que as atuais são extremamente modestas", disse o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Para o senador, "há que se ter mais energia e criatividade".
Os outros aliados da base governista procuraram reforçar que o PFL foi o último partido a condenar a política econômica desenvolvida pelo ministro da Fazenda, depois que PSDB, PMDB, PPB e PTB o fizeram. "O PMDB há muito tempo questiona a política econômica, ao contrário do PFL", disse Geddel Lima (BA).


