Brasília, 12 (AE) - O PFL procura uma saída para viabilizar a permanência do deputado Mussa Demes (PFL-PI) na relatoria da reforma tributária. Pefelistas com mais trânsito no governo articulam para descaracterizar uma concentração de poder nas mãos do secretário da Receita Federal, Everardo Maciel - designado interlocutor oficial do governo nas dicussões da reforma e desafeto de Demes. Ao mesmo tempo, trabalham para abrandar as posições do relator. O governo não aceita o relatório de Mussa Demes, preparado há quase dois anos.
Interlocutores do PFL recusam o isolamento de Mussa Demes por meio de uma operação patrocinada pelo governo. Eles dizem que "farão de tudo para segurar o Mussa", enquanto o relator estiver disposto a dialogar. O PSDB prefere esperar para ver os próximos passos do relator, já anunciando que o ponto de partida da reforma tributária é a estaca zero. "Não dá para discutirmos a proposta de Mussa, ele quer a continuidade do que fez há três anos", protestou o deputado Roberto Brant (PSDB-MG).
O vice-líder do PFL na Câmara, deputado José Carlos Aleluia (BA), considera correta a ação do partido em defesa de Mussa Demes. "Mussa entende muito de matéria tributária, não vejo por que não aceitá-lo como relator", afirmou Aleluia. Mas o deputado, amigo pessoal de Mussa Demes, também ressalta que "relator não é chefe do relatório", e por isso defende que o PFL busque consenso por meio de outros contatos, tanto do governo quanto da comissão, para que possa ser negociada uma proposta com governadores e prefeitos.
O relator diz ter suas razões para brigar. Além das desavenças com o secretário da Receita, Mussa Demes perdeu a paciência na semana passada com o articulador político do governo, ministro Pimenta da Veiga (PSDB). Informado de que poderia receber um convite para uma conversa com o presidente Fernando Henrique, Mussa Demes tentou falar com o ministro algumas vezes na quinta-feira. Desistiu, irritado com a assessoria de Pimenta, que insistia em registrar, por escrito, o assunto que o deputado queria tratar com o articulador.
A comissão da reforma tributária na Câmara inicia amanhã (13) uma série de audiências públicas com os autores de propostas de emenda constitucional que foram anexadas à "proposta-mãe", apresentada pelo governo. O primeiro a expor suas idéias sobre as mudanças necessárias no sistema tributário será o ex-deputado Luiz Roberto Ponte (PMDB-RS).

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