A Polícia Federal vai pedir a quebra de sigilo bancário de mais de 200 contas de pessoas suspeita de envolvimento na rede montada pelo traficante Luiz Fernando da Costa, Fernandinho Beira-Mar. Além disso, a PF solicitará ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, para rastrear as contas da quadrilha do traficante no exterior, investigação que poderá atingir dezenas de países. A PF deve pedir a quebra de
sigilo telefônico de mais de 100 linhas.
A relação de contas bancárias e de telefones já está em poder da área de inteligência da PF, que recebeu muita documentação do Exército e da polícia federal da Colômbia, além de autoridades paraguaias. Foram apreendidos agendas, relatórios manuscritos e anotações em cadernos do grupo de Beira-Mar. O Exército colombiano entregou à PF 270 páginas manuscritas com a contabilidade do bando.
A PF abriu inquérito para investigar o envolvimento de Beira-Mar com os crimes de lavagem de dinheiro, contrabando de armas e associação criminosa internacional. O chefe da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE), Getúlio Bezerra, acredita que a investigação sobre a ‘‘rede’’ de Beira-Mar exigirá a abertura de ‘‘dezenas’’ de novos inquéritos. Segundo Bezerra, todo o levantamento sobre as ações criminosas do traficante pode levar até 5 anos.
Segundo documentação preliminar da PF, não existiriam contas em nome do próprio Beira-Mar, mas em nome de fantasmas (pessoas inexistentes) e ‘‘laranjas’’ (dos quais se utilizam os dados).
Beira-Mar poderá ser ouvido pela PF na próxima semana. O traficante já está em condições de depor, segundo avaliação médica, mas só estaria em condições de viajar em uma semana, quando poderia ser transferido para o Rio de Janeiro ou para Minas Gerais. Os delegados pretendem confrontar o depoimento com todas as informações recebidas do exterior, principalmente sobre as atividades do traficante na Colômbia.
A avaliação da área de inteligência da PF é de que Beira-Mar é um grande ‘‘atravessador’’ de drogas, que tem contatos com os produtores dos cartéis da América Latina e com os distribuidores de vários países. As investigações apontam para a existência de uma grande rede que envolve várias regiões do País e o exterior. Segundo a PF, participariam desta rede a família Morel, na divisa do Paraguai, o bando de Nei Machado, na região Sul, o grupo de Leonardo Mendonça, no Centro-Oeste, e a turma de Jaime Amato, no Sudeste.
O chefe da DRE acredita que a prisão de Beira-Mar vai causar uma ‘‘turbulência’’ no mercado de cocaína, com elevação do preço da droga no Brasil. Mas isto seria temporário, disse o delegado. ‘‘O tráfico é um mercado competitivo no País’’, disse Bezerra. ‘‘Não é oligopolizado.’’ Para o delegado, a Colômbia dificultou o tráfico de drogas em Barrancominas, uma das regiões que abastecem o Brasil, ao utilizar grande efetivo policial para prender o traficante.

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