Brasília, 27 (AE) - A Gerência-Geral de Segurança e Investigações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) acionará a Polícia Federal amanhã (28) para que inicie a investigação da venda irregular do Citotec em Maceió. O remédio, indicado para tratamento de úlceras e cuja venda no Brasil é proibida por ter propriedades abortivas, pode ser encontrado em farmácias e nas bancas de ambulantes da capital alagoana.
Em outros Estados do Norte e Nordeste, também há casos de contrabando e tráfico do medicamento. Prováveis rotas do Citotec foram levantadas. A Secretaria da Saúde da Bahia tem informações sobre a venda irregular do medicamento em farmácias de Salvador, embora nenhum comprimido da droga tenha sido apreendido este ano. De acordo com técnicos do Departamento de Vigilância Sanitária, o produto distribuído na Bahia é originário de Foz do Iguaçu - provavelmente fabricado no Paraguai.
Em Teresina, Piauí, nenhum farmacêutico admite a venda do remédio, feita com a ajuda de intermediários. Sem querer a identificar-se, um deles disse que o medicamento chega da Bahia ou do Paraguai. Mas, segundo o farmacêutico, o produto paraguaio
que é vendido sem embalagem por ambulantes, não surte o efeito esperado para o "tratamento", referindo-se ao procedimento para provocar o aborto: ingestão de dois comprimidos e introdução de outros dois na vagina. A Divisão de Vigilância Sanitária municipal não tem registro de venda do produto.
A rota do tráfico também passa pela Bolívia. Farmácias do interior do Acre estão sendo abastecidas de Citotec por contrabandistas que trazem o medicamento principalmente da cidade boliviana de Cobija. Em Rio Branco, segundo o presidente do Sindicato das Farmácias do Acre, nenhum estabelecimento vende o remédio desde que foi proibido. "Mas, no interior, o controle é mais complicado", diz. Sua drogaria já foi visitada por contrabandistas oferecendo Citotec da Bolívia. Ele não os denunciou à polícia, temendo represálias.
Clientela - O Citotec tem boa clientela na periferia de Belém, onde não é difícil comprar por até R$ 30 uma cartela com quatro comprimidos. Um homem conhecido apenas por Lino - que, segundo moradores do bairro Maguari, seria enfermeiro - vende o Citotec para "clientes preferenciais". A entrega é feita na residência do cliente, às vezes de bicicleta. Um morador diz não saber quem vende. "Só o Lino é quem sabe."
A Divisão de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da Saúde do Pará nega ter conhecimento sobre a venda clandestina do medicamento. Um funcionário do Sindicato de Comércio Varejista de Medicamentos, que preferiu não se identificar, afirmou que o Citotec "vende como água para as molecas que querem abortar".
Em Manaus, o remédio é vendido livremente nas drogarias, por farmacêuticos que pedem "discrição" aos clientes. "Você vem ao balcão da farmácia e eu vendo o remédio sem problema", disse um vendedor de um estabelecimento bastante popular.
Em Natal, a Vigilância Sanitária não registra casos de venda do Citotec há um ano e meio, mas o remédio já chegou a ser vendido por R$ 100 nas farmácias. A última apreensão de Citotec no Recife foi feita há dois anos.

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