PF vai investigar quadrilha acusada de comercializar madeira roubada no Pará
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 22 (AE) - A Polícia Federal (PF) vai investigar uma quadrilha especializada em "inventar" fazendas, proprietários rurais e até planos de manejo fantasmas para justificar a comercialização e exportação de madeira roubada e ilegal. O esquema, descoberto pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), envolve até agora nove grandes madeireiras do Sul do Pará, pelo menos quatro fazendas inexistentes e dezenas de pessoas, incluindo funcionários do próprio Ibama, que estão sendo afastados durante as investigações.
O superintendente do Ibama no Pará, Paulo Castelo Branco
reuniu-se hoje com o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e apresentou alguns dados sobre a ação da quadrilha. "O ministro achou um escândalo, uma safadeza", disse Castelo Branco. "Ele pediu apuração rigorosa e mandou punir". Castelo Branco também conversou com a Superintendência da PF no Pará para detalhar as investigações.
O superintendente substituto da PF no Estado, Tales José Ferreira Sales, disse hoje que a as investigações serão iniciadas no momento em que o Ibama entregar a lista dos nomes dos envolvidos. Hoje, o superintendente do Ibama anunciou o afastamento de uma parcela dos funcionários suspeitos de integrar o esquema. "Há dezenas de pessoas envolvidas, dentro e fora do governo", disse. Quadrilha - A descoberta da quadrilha deu-se a partir das investigações do Ibama sobre a Fazenda São Romualdo I, de propriedade de Mifibosete Reis dos Santos. A fazenda não existe e os números dos documentos do suposto proprietário não conferem com os de um homônimo. O Ibama já descobriu pelo menos mais três fazendas suspeitas de serem fantasmas, todas no Pará, mas não sabe ainda se o esquema envolve outros Estados.
Segundo Castelo Branco, até agora os levantamentos do Ibama estão mostrando que a quadrilha vem agindo principalmente nas cidades de Paragominas e Ulianópolis. A região é dominada pelos grandes madeireiros, que em sua maioria são a elite econômica e política do local. Segundo a Polícia Federal no Estado muitos se elegeram prefeitos de municípios do sul do Pará.
A área é vista pela PF e pelo Ibama como uma das mais problemáticas do País em se tratando de devastação do meio ambiente. A região é conhecida pelos ambientalistas como local onde se pratica o chamado extrativismo selvagem sem cuidado com o meio ambiente.
Autorizações - A criação de fazendas, fazendeiros e planos de manejos fantasmas é uma forma que a quadrilha vinha utilizando para utilizar autorizações para transporte de produtos florestais (ATPF) "esquentadas", segundo o superintendente do Ibama. O documento permite que as madeireiras transportem para outros Estados e exportem madeira. Castelo Branco informa que somente a Fazenda São Romualdo I, de 3 mil hectares, que só existe no papel, vendeu 124 mil metros cúbicos de madeira.
Ele ainda não sabe a área total inventada pela quadrilha
nem a quantidade de madeira que teria sido vendida irregularmente, com as ATPFs irregulares. O superintendente do Ibama, no entanto, já tem farta documentação mostrando que a quadrilha vendia madeiras nobres, como cedro, angelim, jatobá, angico e mogno. A extração destas madeiras segue rigoroso plano de manejo, para evitar extinção de espécies.


