PF vai investigar prisão de chinês no Rio
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Felipe Wernecke Karine Rodrigues<br> Agência Estado 
Rio - O secretário estadual de Direitos Humanos do Rio, João Luiz Pinaud, que investiga o caso do chinês Chan Kim Chang, encontrado desacordado e ferido numa cela do Presídio Estadual Ary Franco na quarta-feira, afirmou ontem que está descartada a possibilidade de autolesão, alegada pelo diretor da unidade, major Luiz Gustavo Matias. Pinaud apura a hipótese de tortura, em investigação paralela à da Secretaria de Administração Penitenciária, que ontem afastou Matias do cargo. No Rio, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, disse considerar estranha a versão defendida pelo diretor, e afirmou que a Polícia Federal também vai investigar todas as hipóteses.
Fizemos um levantamento fotográfico após a internação de Chang e posso afirmar que está inteiramente descartada, pelo menos para a minha investigação, a possibilidade de autolesão. Isso será complementado com perícia médico-legal posterior, mas aquelas lesões que verificamos não poderiam ser autocausadas, afirmou Pinaud. A possibilidade de tortura no interior de um presídio é algo repugnante e será apurada com o maior rigor, disse ele.
O secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, afirmou, também no Rio, que o fato de Pinaud estar à frente da Secretaria de Direitos Humanos do Rio é um fator de esperança. Ontem, Pinaud e o secretário de Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, vistoriaram o Presídio Ary Franco, em Água Santa, onde presos federais ficam sob custódia estadual.
Chang, naturalizado brasileiro, havia sido detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ao tentar embarcar para os EUA com US$ 30 mil não declarados à Receita Federal, na segunda-feira. Foi autuado por evasão de divisas e levado para o presídio por policiais federais, na terça-feira. A PF afirma que, quando os agentes retornaram ao Ary Franco para cumprir um alvará de soltura, na quarta-feira, encontraram o chinês desacordado e ferido.
Chang foi levado para o Hospital Salgado Filho, onde está internado em coma. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o chinês continuava em estado grave, respirando por meio de aparelhos ele já foi submetido a duas cirurgias para drenagem de sangue do cérebro.
Ontem, três parentes de Chang revelaram, em audiência pública na Assembléia Legislativa, que ele disse, na terça-feira, ter sofrido ameças de morte e agressões físicas, sem revelar os autores. Ele pediu ainda que seu filho, Henrique, de 13 anos, fosse escondido, porque temia pela vida dele. O advogado de Chang, David Lopes, afirmou que ele teria esperado de 16h às 22h de quarta-feira para receber atendimento médico. O procurador-geral de Justiça do Estado, Antônio Vicente da Costa Júnior, designou o promotor Luciano Mattos para acompanhar o caso.


