Rio - Representantes de mais de 30 empresas, entre elas uma siderúrgica, uma grande rede de varejo, uma empreiteira e companhias do setor de combustíveis, serão chamados pela Receita Federal e pela Polícia Federal para explicar sua suposta participação no esquema que apagava dívidas com o Fisco federal. O golpe foi descoberto pela PF.
A ação é consequência da investigação que, até ontem, resultou na prisão de 13 acusados de integrar o bando. Um dos presos é o ex-presidente do Flamengo Edmundo dos Santos Silva. Deve ser realizada, ainda, uma auditoria no sistema de informática da Receita tido como frágil , por pedido do Ministério Público Federal.
O corregedor-geral da Receita Federal, Moacir Leão, afirmou ontem que todas as empresas que apagaram débitos no sistema terão suas dívidas tributárias federais reconstituídas. Ele disse que a corregedoria encontrou várias ''inconsistências e fragilidades'' no sistema. ''Realmente há possibilidade de servidores desonestos, utilizando expedientes como usurpação de senhas de terceiros de boa-fé ou a deles próprios, baixarem débitos do sistema com relativa facilidade e depois eliminar os processos físicos.'' Ele disse que, em tese, as mesmas fraudes podem ocorrer com a Receita em outras regiões do País. Leão, que foi ameaçado pelos fraudadores, disse não temer ações do bando. Apesar disso, anunciou que pedirá proteção à PF.
A Procuradoria da República também criticou o sistema de informática da Receita. Procuradores disseram que requisitarão ''ampla auditagem'' no sistema de cobrança. ''A auditoria é essencial'', disse o procurador Carlos Alberto Aguiar, integrante da força-tarefa que há três anos combate fraudes contra o INSS. A Receita já detectou indícios de R$ 245 milhões em prejuízos com o cancelamento de dívidas a quantia total, porém, pode chegar a R$ 1 bilhão.
A Polícia Federal diz que o suposto esquema de fraude era dividido em quatro níveis: diretores de beneficiadas, consultores (que os agenciavam), intermediários (que faziam a ligação com os órgãos públicos) e os funcionários que apagavam as dívidas e emitiam certidões de quitação. A PF afirma que aos diretores eram oferecidos ''contratos'' cujo objetivo era a eliminação ilegal das dívidas. A atividade seria intermediada por escritórios de advocacia.
Os policiais ainda apontaram à Justiça indícios de que a quadrilha está muito infiltrada na Receita Federal. Segundo os agentes, foi discutido no órgão até que servidores deveriam ocupar quais cargos, com o objetivo de facilitar o funcionamento do esquema. A PF também mostrou sinais de que haveria ''concorrência'' entre várias quadrilhas.

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