Rio - Em operação batizada de Vaga Certa, a Polícia Federal (PF) prendeu sete acusados de participação em uma quadrilha que fraudava vestibulares para universidades públicas e privadas. As irregularidades ocorriam também em processos de transferência entre instituições de ensino superior.
O segundo passo da operação, que começou na sexta-feira, será identificar as pessoas que ingressaram em universidades públicas e particulares através do esquema dos fraudadores. A PF estima que 30 estudantes - a maioria dos cursos de Medicina e Odontologia - tenham sido beneficiados. Todos deverão perder a vaga, segundo informou a polícia.
Duas prisões aconteceram no Rio e cinco em Fortaleza. Entre os presos há duas estudantes de Medicina, um de Enfermagem e um de Direito.
Duas outras pessoas, contra as quais também há mandados de prisão preventiva, estavam foragidas ontem. Todos os nove foram denunciados pelo procurador da República Marcello Miller à 3 Vara Federal Criminal do Rio por estelionato, falsificação de documentos públicos e formação de quadrilha.
O Ministério Público Federal (MPF) informou que o esquema funcionava desde 2004 e que em apenas 20 fraudes a quadrilha recebeu R$ 500 mil. O número total ainda era desconhecido hoje, mas a PF informou já ter provas em 30 casos no último vestibular da Cesgranrio, a maioria na Universidade Gama Filho. A polícia tem os nomes do estudantes, os valores pagos e as contas em que o dinheiro foi depositado. Essas contas foram bloqueadas pela Justiça. Há casos conhecidos também na Universidade Federal Fluminense, na Federal de Pelotas e em instituições de Vassouras, Petrópolis, Mogi das Cruzes e Curitiba.
O delegado Lorenzo Pompílio da Hora, titular da Delegacia Fazendária da PF no Rio, disse que os estudantes envolvidos podem ser indiciados. ''Certamente eles devem perder a vaga na universidade, pois a obtiveram de forma ilícita'', declarou o policial. ''A expectativa é de indiciamento'', acrescentou. Ele disse que ainda não se pode falar em envolvimento das instituições, mas admitiu que existem suspeitas contra funcionários de universidades.
Pilotos - Detidas no Ceará, Aline Saraiva Martins, de 21 anos, e Mariza Bandeira de Araújo, de 28, são estudantes de Medicina da Universidade Federal do Ceará (Ufce). Segundo a PF, elas usavam documentos falsos para fazer provas no lugar de pessoas que pagavam à quadrilha.
O delegado disse que ambas eram capazes de passar nos vestibulares para diversas áreas. Elas eram chamadas de ''pilotos'' e receberiam, de acordo com a investigação, R$ 6 mil por aprovação obtida. O valor pago à quadrilha variava entre R$ 25 mil e R$ 70 mil. Também foram presos o estudante de Enfermagem da UFCE Pedro Hugo Bezerra Maia Filho, de 25 anos, e o estudante de Direito Francisco do Nascimento Moura Neto, de 24, da mesma instituição.

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