Agentes da Polícia Federal vão visitar, na próxima semana, assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para investigar denúncia de desvio de dinheiro na Cooperativa de Trabalhadores Rurais do Centro-Oeste do Paraná (Coagri), situada em Bituruna (a 76 km de União da Vitória). De acordo com o delegado regional da Polícia Federal no Paraná, Luiz Melzer, poderão ser ouvidas 600 pessoas. A coordenação estadual do MST informou que somente vai se pronunciar em juízo sobre o assunto.
Melzer disse que um delegado de São Paulo, da Divisão Contra Crime Organizado e Inquérito Especiais (Decoie), está presidindo o inquérito criminal. Em duas semanas, ele ouviu funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e funcionários ligados ao setor bancário, que repassa esses recursos.
A partir de terça-feira, uma equipe especial vai para casa de cada um dos assentados, que pagaram a taxa irregular cobrada pela coordenação do MST. A intenção é saber como acontecia a cobrança do valor pela Coagri, em Bituruna. Na sindicância interna do Incra, no qual a Advocacia Geral da República se baseou para abertura de processo, em 13 estados, contra o MST, pelo menos 20 agricultores teriam admitidos que houve cobrança de 3% do dinheiro repassado pela União. A Coagri recebeu R$ 15,8 milhões em recursos federais.
Peritos da polícia deverão avaliar os livros caixas da cooperativa. Com base nessas relações comerciais, lojistas de implementos agrícolas serão chamados para depor. Há acusação que eles pagavam 20% de taxa, em contrapartida os produtos eram mais caros.
O delegado Luiz Melzer informou que líderes do MST deverão ser convocados a depor, mas não há ainda data marcada. Os policiais têm 40 dias para concluir os trabalhos. O processo contra o MST já está no Fórum de Paranaguá.

mockup