Brasília, 02 (AE) - A Polícia Federal vai usar os mesmos métodos de investigação do Esquema PC para tentar levantar fatos novos na apuração do vazamento de informações e remessa ilegal de divisas durante a mudança cambial, no início do ano. Até mesmo o programa de computador que os delegados estão usando é o mesmo que levou a polícia a descobrir o esquema de corrupção de Paulo César Farias, ex-tesoureiro da campanha do ex-presidente Fernando Collor.
Os depoimentos colhidos até agora estão sendo considerados inconsistentes e por isso a polícia concentrará seu trabalho na análise dos documentos recolhidos na casa do ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes e de vários disquetes. Os resultados serão cruzados com as informações surgidas na quebra de sigilo bancário, telefônico e fiscal de todos os envolvidos.
As próximas pessoas a serem ouvidas pela Polícia Federal são os irmãos Sérgio Bragança e Luiz Augusto Bragança, ligados a Francisco Lopes. Sérgio é um dos donos da Macrométrica, empresa fundada por Lopes. Ele confirmou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos que Lopes continuou frequentando a empresa no período em que estava na diretoria do Banco Central.
Como nos demais depoimentos, a PF acredita que haverá poucas novidades. "Temos pouca coisa até agora", diz um delegado ligado à direção da Polícia Federal, admitindo que as investigações em torno de Lopes estão vagas, já que o interrogatório ao qual foi submetido ocorreu no mesmo dia em que os documentos foram retirados de sua casa e pouco se sabia sobre eles. Lopes deverá ser chamado a depor novamente na PF.
Todos os documentos entregues pela CPI à polícia estão passando por exame grafotécnico para identificar quem são seus autores. Os dados serão cruzados com as informações dos disquetes e agendas encontrados na casa de Lopes. O trabalho será feito pela Divisão de Crime por Computadores do Instituto Nacional de Criminalística (INC), ligado à Polícia Federal. Tudo como foi feito no Esquema PC, quando surgiu a Divisão de Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie), que hoje atua junto com a CPI do Sistema Bancário.
Delegados - Para avançar nas investigações, a Polícia Federal requisitou todos os delegados à disposição da Academia Nacional de Polícia (ANP). Eles passarão a trabalhar com outros cinco da Decoie, coordenados pelo delegado Nei Cunha e Silva, um dos integrantes da equipe que desvendou o Esquema PC, junto com o delegado aposentado Paulo Lacerda, hoje assessor da CPI dos bancos. As investigações continuarão centralizadas em Brasília.

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