PF transfere parte de 26 suspeitos para CPE
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domingo, 26 de setembro de 1999
Por Gilse Guedes 
Brasília, 27 (AE) - A Polícia Federal (PF) transferiu hoje parte dos 26 suspeitos de envolvimento no esquema do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido-AC), presos no Estado, na semana passada, e trasladados para Brasília, na madrugada de sábado (25). Sob um forte esquema de segurança, que contou com o apoio de um helicóptero, um grupo de dez policiais civis foi levado da Superintendência da PF para a Coordenadoria de Polícia Especializada (CPE) da Polícia Civil. Neste grupo, figura José de Andrade, tio do deputado José Aleksandro da Silva
o "Zé Alex", recém-empossado na vaga deixada por Hildebrando na Câmara.
Os presos foram submetidos a exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML), atendendo a operação de rotina nas prisões realizadas pela PF, e, depois, acomodados em celas individuais na CPE. O outro grupo, composto principalmenre por policiais militares, ainda aguardava - no início da noite de hoje - pelo traslado para o 3º Batalhão da Polícia Militar (BPM). Entre esses militares, estão parentes próximos de Pascoal. O advogado Rui Duarte prometia interpor ainda hoje pedido de habeas-corpus para libertar Andrade e Alexandre Alves da Silva, repsectivamente tio e irmão de "Zé Alex".
"Zé Alex" é acusado de ter desviado recursos públicos no Acre e de ter envolvimento com o narcotráfico.
Advogado de 16 dos envolvidos trazidos do Acre, Roberto Duarte criticou hoje as condições de encarceramento dos clientes
que, segundo ele, ficaram fechados numa única cela, "em condições ruins".
Os advogados Eri Varela e Pedro Calmon, que defendem Pascoal, encontraram-se com o deputado hoje para definir a estratégia de defesa. Calmon insistiu que o cliente foi preso sem provas e afirmou estar confiante na Justiça. O advogado também criticou as condições de encarceramento. "Até o José Carlos (Alves dos Santos, que assassinou a mulher e envolvido na máfia do Orçamento) tinha tudo o que quisesse, até mulher", reclamou Calmon, afirmando que o cliente não desfruta de nenhum privilégio ou conforto.
O advogado voltou a negar que tivesse pensado em dar fuga ao ex-deputado para evitar a prisão e prometeu processar órgãos de imprensa que noticiaram o suposto fretamento de um avião. "Nunca foi cogitada essa alternativa", frisou Calmon. Segundo ele, Pascoal dispôs-se a se entregar à polícia antes mesmo de receber o mandado de prisão na madrugada de quinta-feira (23), depois da cassação do mandato pela Câmara.


