Brasília - A partir de segunda-feira, a Polícia Federal terá uma diretoria exclusiva para combater o crime organizado. A nova diretoria, criada dentro de um processo de reestruturação da PF, vai concentrar as coordenações de repressão a entorpecentes, ao tráfico de armas e aos crimes patrimoniais e financeiros. ‘‘Estamos criando um setor especializado, reforçando nossas ações em diversas áreas que hoje estão ligadas à Diretoria de Polícia Judiciária’’, afirmou o diretor-geral da PF, Paulo Lacerda.
  A superdelegacia, como já vem sendo chamada entre os policiais federais, terá como um dos objetivos principais combater o tráfico de drogas e de armas. Segundo Lacerda, cada superintendência estadual da PF terá que criar um departamento próprio, com agentes e delegados especializados. ‘‘As unidades regionais terão como meta o combate ao tráfico de armas, que hoje é responsável por boa parte da criminalidade no País’’, diz o diretor da PF.
  A Coordenação de Repressão a Entorpecentes, dirigida pelo delegado Getúlio Bezerra, hoje vinculada à diretoria de Polícia Judiciária, passará a atuar de forma diferente com sua inclusão na nova diretoria.
  ‘‘O objetivo é ter mais agilidade no combate ao crime’’, explica o diretor. A Divisão de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie) também será vinculada no novo departamento e, segundo Lacerda, terá o reforço de dezenas de agentes e delegados especializados em ações contra crimes financeiros e patrimoniais, como o roubo de cargas.
  Mas a principal novidade na reestruturação da PF – a primeira em quase 20 anos – será a Coordenação de Repressão ao Tráfico de Armas Ilícitas, uma unidade que trabalhará quase que exclusivamente na área de inteligência. ‘‘Hoje ninguém investiga a fundo este tipo de crime’’, afirma Lacerda. ‘‘Com certeza vamos nos defrontar com policiais civis, militares e até colecionadores envolvidos em esquemas ilegais.’’
  Na próxima semana, após a publicação do decreto com a nova estrutura da PF no ‘‘Diário Oficial’’, que deverá ocorrer na segunda-feira, Lacerda vai se reunir com integrantes das Forças Armadas para discutir uma política de repressão ao tráfico de armas.

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