BRASÍLIA - A prioridade número um da Polícia Federal é a prisão da advogada Jorgina Maria de Freitas Social. Segundo o diretor da PF, Vicente Chelotti, a advogada é hoje a principal criminosa foragida do País, após a prisão em 1996 dos assassinos do sindicalista Chico Mendes, morto há oito anos no Acre.
‘‘Jorgina é hoje a fugitiva brasileira mais procurada no mundo’’, comentou anteontem em Miami (Estados Unidos) o chefe da Procuradoria do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) no Rio, Zander Martins de Azevedo. ‘‘Mas temos certeza de que, impedindo que ela pegue o dinheiro, seu poder vai diminuindo e não deve demorar muito para capturá-la’’.
Informações repassadas pelo Instituto Nacional do Seguridade Social (INSS) à Polícia Federal dão conta de que Jorgina estaria vivendo na Costa Rica, onde sua mãe e dois filhos teriam sido localizados. A PF já comunicou, por meio da Interpol (Polícia Internacional), a fuga da advogada a 187 países que mantêm intercâmbio policial com o Brasil. Na quarta-feira, Jorgina foi condenada pela Justiça dos Estados Unidos a pagar US$ 100 milhões ao governo brasileiro por fraudes contra o INSS.
Jorgina está foragida desde 1994, após ser condenada a 14 anos de prisão por liderar uma quadrilha de fraudadores do INSS.
A PF deverá pedir permissão ao governo da Costa Rica para deslocar agentes especializados com a finalidade de acompanhar as diligências da polícia local.
Sem consentimento dos governos de outros países, a PF não pode fazer investigações próprias no exterior. Em outros casos de foragidos famosos, a PF obteve autorização de países vizinhos.
Isso ocorreu na Argentina para a captura do piloto Jorge Bandeira de Melo, em 1995, sócio do empresário Paulo César Farias, ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor. Em novembro de 1996, a PF localizou no Paraguai um terrorista libanês acusado do atentado a bomba ao edifício World Trade Center, nos Estados Unidos. Ele foi preso pela polícia local.
Dos US$ 531 milhões roubados da Previdência Social pela máfia que atuava no setor de acidentes do trabalho no Rio, o INSS poderá reaver, no máximo, US$ 156,5 milhões - ou cerca de 30% do total desviado. A quantia representa a soma de bens e valores bloqueados por decisões judiciais no Brasil e no Exterior.
De acordo com levantamento feito pelo Tribunal de Justiça do Rio e pela Procuradoria do INSS, o bloqueio atinge US$ 73,5 milhões depositados em bancos dos Estados Unidos e da Suíça e US$ 33 milhões em bancos brasileiros. Os US$ 50 milhões restantes fazem parte de uma relação de imóveis, carros, telefones e até cavalos de raça e gado - comprados pelos fraudadores, mas bloqueados por sentenças judiciais.
Os valores desviados por fraudadores do INSS que atuavam em São João do Meriti (RJ) enviados para o exterior são os seguintes: R$ 34 milhões bloqueados no Merry Linch Bank, em Miami; R$ 20 milhões bloqueados no Great Western Bank, em Miami; R$ 13 milhões acautelados no CDI-TDB, em Genebra; R$ 3 milhões acautelados no CDI-TDB, em Genebra; R$ 1,5 milhão acautelados no CDI-TDB, em Genebra; R$ 2 milhões bloqueados no Merry Linch Bank, em Miami; R$ 9 milhões bloqueados em bancos brasileiros; R$ 5 milhões depositados em cadernetas de poupança em bancos brasileiros; R$ 19 milhões bloqueados em contas bancárias em bancos brasileiros.

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