Depois de uma semana de buscas inúteis a 11 corpos de garimpeiros, supostamente mortos por índios arredios, a Fundação Nacional do Índio (Funai) decidiu tentar localizar a principal testemunha do incidente, o índio Aldo Cuxá. Até mesmo o uso de sinais de fumaça, visando encontrar a testemunha, foi cogitado.
Cuxá, segundo a Funai, foi quem manteve contato com dois sobreviventes que acabaram morrendo pouco depois e poderia indicar onde teria acontecido o confronto entre índios e garimpeiros. Ele está desaparecido e, segundo a polícia, corre risco de vida.
Durante quase uma semana a Polícia Federal vasculhou, de helicóptero, as cabeceiras do Rio Citaré onde teria havido o suposto confronto. ‘‘A informação que Aldo Cuxá passou para seus familiares era que 13 pessoas haviam sido mortas neste local, incluindo uma índia e seu filho’’, disse o administrador da Funai no Amapá, Amaro Lopes. ‘‘Ele avisou a família temendo que algo acontecesse a eles’’, acrescentou Lopes.
A informação de Cuxá chegou à Funai há uma semana, mas tanto a PF quanto a fundação resolveram direcionar as investigações para os corpos. A decisão de achar a principal testemunha surgiu na noite de anteontem. ‘‘A partir de agora, a prioridade será achar o Aldo Cuxᒒ, disse Lopes. ‘‘Não sabemos onde ele está, mas esperamos um contato’’, ressalta. Até ontem à tarde o índio, que foi criado por garimpeiros, não havia feito nenhum contato. A Polícia Federal ainda ouviu diversos índios, sem sucesso.
As investigações feitas para apurar o episódio foram semelhantes a utilizada pela Funai e PF durante o massacre de 12 índios ianomamis, há cinco anos, em Roraima. Até mesmo a fonte de informação do incidente, também envolvendo garimpeiros, foi da mesma forma. Uma freira havia enviado um rádio para a Funai comunicando as mortes, mas ninguém sabia onde era. Quase um mês depois, se descobriu que tudo ocorreu em Homoxi, na Venezuela.
O suposto confronto do Amapá também foi comunicado por rádio para a Funai. Entretanto, ninguém até hoje sabe onde e como aconteceu. A administração da fundação em Macapá chegou até mesmo a cogitar o uso de métodos rudimentares para localizar Cuxá, a principal testemunha. ‘‘Pensamos em pedir ao Aldo Cuxá que emitisse sinais de fumaça para a gente achá-lo’’, confirma Amaro Lopes.
Segundo Lopes, Cuxá corre risco de vida por estar envolvido com garimpeiros. Por este motivo, foi proibida a utilização de rádios amadores de outras instituições que não seja a Funai e PF, para tentar localizá-lo.

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