PF teme onda de invasões no sul do Pará
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quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Edson Luiz, especial para AE 
Marabá, PA 29 (AE) - A Polícia Federal (PF) no sul do Pará tem informações de que movimentos de trabalhadores rurais pretendem invadir diversas fazendas com mais de 300 hectares ao longo da Rodovia PA-150, entre Marabá e Eldorado dos Carajás. Hoje cerca de 7 mil sem-terra estavam acampados na frente da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá.
A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri) e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) pretendem reunir, até sábado, 15 mil pessoas diante do Incra. "O meu medo é que a liderança do protesto perca o controle da situação", afirma o delegado da PF em Marabá, Adolfo Raquel Machado. Os trabalhadores só pretendem sair do local depois que o governo federal atender a uma extensa pauta de reivindicações.
As famílias que chegam em caminhões e ônibus a Marabá estão sendo alojadas em barracas de lona na Praça do Mogno, na frente da sede do Incra, mas nenhum dos líderes admite que os sem-terra estejam organizando invasões. "Enquanto o governo não atender nossa pauta de reivindicações, não sairemos daqui", enfatiza o coordenador regional da Fetagri, Francisco de Assis Solidade da Costa. "Nem que o acampamento dure um ano."
Além do MST e da Fetagri, participam do protesto 40 sindicatos de trabalhadores rurais e 250 associações de produtores rurais. Apesar da grande movimentação de trabalhadores rurais, o clima em Marabá está calmo, mas poderá piorar se as invasões forem confirmadas. "Temos de resolver tudo com bom senso", diz o coronel Jaime Jesus de Oliveira, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar, do sul do Pará. Na semana passada, o coronel conseguiu fazer uma das poucas reintegração de posse de forma pacífica em Marabá.
Para evitar problemas na cidade, a PM está organizando barreiras em todas as rodovias que dão acesso a Marabá. Os acampados transformaram a Praça do Mogno em uma pequena vila de barracas. Até mesmo as bandeiras do Incra e do município, que estavam na frente do prédio, foram trocadas pelas do MST e da Fetagri.
Em Brasília, o presidente do Incra, Nelson Borges, garante o governo vai receber uma comissão para negociar a pauta de reivindicações, se não houver invasão da sede. "O que eles querem é justo, mas é preciso ter calma", afirmou Borges. Segundo ele, a programação fundiária - ou seja, o cronograma de ações como assentamento de famílias - para o sul do Pará será anunciado entre os dias 9 e 14.


