PF tem suspeitos de atentado em Foz
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quinta-feira, 04 de julho de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - A Justiça Federal de Foz do Iguaçu decretou a prisão preventiva de um funcionário da prefeitura de Medianeira (Oeste), de um empresário e de um agricultor. Eles são suspeitos de participar do atentado à bomba na Estrada do Colono, em junho, quando cerca de 30 pessoas renderam os vigias e destruíram parte da guarita do caminho.
Ontem, a Polícia Federal apreendeu documentos na prefeitura de Medianeira. Os papéis são relacionados as empresas de transporte prestadoras de serviços ao município. A ação mobilizou oito agentes, durou quatro horas e assustou o funcionalismo público.
Segundo a PF, o motorista de uma transportadora confessou ter sido chamado por um funcionário para transportar assentados de Ramilândia (Oeste) até Serranópolis do Iguaçu, onde fica o portão da Estrada do Colono. Agora, a PF quer investigar eventual ligação da firma com uma Kombi usada no dia do atentado.
Baseada no depoimento, a polícia pediu a prisão do empresário, do servidor e do membro assentamento, que seria coordenado pelo Movimento dos Agricultores Sem-Terra (MST). A PF tem nomes de outros seis assentados envolvidos no ato. ''Todos estão foragidos desde o começo da investigação'', afirmou o delegado Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita.
Os nomes dos suspeitos não foram divulgados pela Polícia Federal, que pediu um mandado de busca porque a prefeitura de Medianeira se recusou, por duas vezes, a fornecer documentos.
O prefeito de Medianeira, Luiz Suzuke (PT), disse ontem que a solicitação da polícia era genérica. ''Respondemos a ela que fizesse um pedido específico. Era só perguntar quem prestava serviço de transporte escolar para o município''.
Suzuke, que é presidente da associação pró-reabertura da Estrada do Colono, disse desconhecer envolvimento de servidores no crime. ''Cabe ao funcionário ou prestador de serviço responder por seus atos. Não podemos vigiar as atitudes de cada um aos finais de semana''.
A Estrada do Colono é um atalho por dentro do Parque Nacional do Iguaçu. Ela tem 17,6 quilômetros e encurta a distância do Oeste ao Sudoeste em mais de 140 quilômetros. Seu fechamento completou um ano em 13 de junho e revoltou moradores da região. Três dias depois ocorreu o atentado.


