Aumentam os indícios de que o londrinense César Sinigalha Alvares – (a grafia correta foi divulgada ontem pela polícia), 33 anos, esteja envolvido com o tráfico de armas. Ontem a Polícia Federal de Londrina encontrou em sua casa em Rolândia (25 km a oeste de Londrina) uma lista de nomes de possíveis compradores e vendedores de armas e sete armas pesadas, algumas delas, normalmente utilizadas apenas pelo crime organizado. As armas estavam no cofre que ele mantinha na casa da Rua Jundiaí, 134, em Londrina, onde seria a sede do clube de tiro.
Os documentos encontrados na casa de Alvares, em Rolândia, indicam, segundo o delegado da Polícia Federal de Londrina, Pedro Paulo Figueiredo, que os nomes que constam na lista são das pessoas de quem ele comprava e para quem vendia as armas. Todos são do Paraná e do Rio de Janeiro, o que aumenta a suspeita de que ele adquiria as armas no Paraná e as vendia no Rio, onde foi preso no sábado com uma carga de armamentos pesados, explosivos e granadas.
Em Rolândia, os agentes foram atendidos pela esposa de Alvares, Francisca de Oliveira que, segundo a assessoria de comunicação da PF do Rio de Janeiro, foi quem embarcou o armamento no ônibus da Viação Garcia no sábado. A partir de hoje a PF começará a investigar as pessoas que estão na lista de Alvares para saber se elas realmente estão envolvidas no tráfico de armas.
Ontem pela manhã a PF fez outra diligência em Londrina, onde moram a mãe e irmãos de Alvares, mas nada foi encontrado. Um dos irmãos de Alvares já foi preso por tráfico de drogas, segundo o delegado da PF.
O cofre onde estavam as armas foi apreendido anteontem na Rua Jundiaí juntamente com outros materiais utilizados para recarga como pólvora, chumbo, cápsulas de 9 mm, 45 mm, 12 mm e outras. O cofre, que só foi aberto ontem por um chaveiro, continha uma pistola Llama 9 milímetros, uma israelense Desert Eagle, calibre 44, um revólver comum entre colecionadores, uma garrucha, uma pistola Imbel calibre 380, uma pistola Glock calibre 9 milímitros, um revólver Magnum calibre 44.
Segundo informações da PF, tanto a Llama 9 milímitros quanto a Desert Eagle são comunmente utilizadas pelo crime organizado. Uma Desert Eagle não é utilizada no Brasil nem pelo Exército. Um disparo desta arma mata mesmo que a pessoa esteja com colete a prova de balas. Segundo informações da PF, praticantes de tiro poderiam, com autorização do Exército, ter qualquer uma destas armas.
O detalhe que levanta suspeita é que quem pratica tiro utiliza armas leves e com maior capacidade de munição do que as encontradas no cofre. Ainda segundo informações da PF, se as armas apreendidas fossem utilizadas por praticantes de tiro teriam sofrido modificações (cabo emborrachado no lugar do de madeira, gatilhos mais leves, carregadores maiores), mas todas estão da mesma forma que saíram da fábrica.
Outro indício que levanta suspeita é o fato de ninguém até ontem ter ido reclamar nenhuma das armas apreendidas pela PF. Uma Glock 9 milímetros por exemplo custa em média R$ 2 mil. Quem tem o registro de uma arma desta iria procurar recuperá-la, segundo a PF.
Junto com as armas foi encontrada uma relação contendo calibres de armas, com anotações ao lado, não muito claras, mas que indicam ser o preço de cada uma. O delegado Pedro Figueiredo afirmou que irá encaminhar estas armas para a Justiça Federal do Rio de Janeiro.

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