PF sabe quem são mandantes do assassinato de Amaral
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de setembro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 14 (AE) - A Polícia Federal (PF) sabe quem são os mandantes do assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral
sequestrado em Várzea Grande, (MT) e morto em Concepción, a 200 quilômetros de Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai, na semana passada. Segundo uma fonte da polícia, a preocupação, agora, é buscar provas capazes de incriminar os suspeitos para poder os processar.
Os nomes dos mandantes (possivelmente dois) estão sendo mantidos em sigilo e só serão revelados quando o inquérito estiver quase concluído. "Os responsáveis são os óbvios, não há segredo; o que precisamos é de provas contra eles", comentou essa fonte.
Ao contrário dos outros casos, a PF começou a investigar o assassinato de Amaral a partir do meio do processo. A estratégia dos agentes federais, ao prender o empresário Josino Guimarães, era buscar o autor do crime para, então, chegar aos mandantes. "O passo mais importante das investigações é saber onde o magistrado foi morto para que seja feito o enquadramento do crime", comentou a fonte da polícia.
No domingo (12), o juiz federal Fernando da Costa Tourinho Neto disse, em Cuiabá, que Amaral havia sido sequestrado e levado para o Paraguai. "Não sabemos se ele foi executado aqui no Brasil ou lá no Paraguai", comentou Tourinho Neto.
O próximo passo dos agentes federais, após concluir que houve o sequestro do magistrado, foi checar os planos de vôo do Aeroporto Marechal Rondon. Eles descobriram que, no sábado (11), às 5h40, o bimotor Sêneca, prefixo PT VEM, levantou vôo com destino à Fazenda Liberdade, na região de Cáceres (Oeste). Essa fazenda pertenceu a Guimarães, preso sob acusação de participação na morte de Amaral. "Isso não significa que o magistrado tenha sido levado por este caminho", observou um agente federal.
Segundo informou um piloto de avião, a fazenda consta da rota de todos os planos de vôo que saem para a região pantaneira. "É que essa fazenda possui a única pista homologada na região", explicou. "A aeronave pode pousar em outro local."
Tourinho Neto disse estar certo de que Amaral foi vítima de uma "poderosa organização". Ele comentou: "Essa organização teve a audácia de assassinar um juiz que denunciava irregularidades; é uma gente que não respeita ninguém e está disposta a tudo."
A reportagem apurou que essa organização seria um grupo ligado ao narcotráfico boliviano e colombiano que possui ramificações em diversos países. De acordo com as informações da polícia, Amaral esteve em Cáceres dois dias antes de ser sequestrado, fazendo investigações sobre o tráfico de drogas.


