Rio, 30 (AE) - A Polícia Federal (PF) sabe que o grampo nas quatro linhas diretas que serviam ao gabinete da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi feito na central da antiga empresa Telecomunicações do Rio de Janeiro (Telerj), próxima à sede da instituição. Embora o laudo da perícia não tenha concluído se a escuta foi realizada dentro ou fora do banco, as condições técnicas em que foram realizadas as gravações indicam que só poderiam ter ocorrido numa base externa.
Segundo fontes ligadas à investigação, essa base teria sido o escritório que o detetive particular Adilson Alcântara de Matos tinha no centro do Rio. De lá, Matos, que é ex-agente do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), monitorava no equipamento a interceptação telefônica posta na central. O ex-agente seria conhecido na comunidade de informações por ser alguém com acesso àquela estação, que serve a outras importantes empresas, como Petrobras e Banco do Brasil (BB) - e, por isso, o nome dele logo chegou às mãos do delegado Rubens Grandini.
A hipótese de que o grampo tenha sido feito nos cabos subterrâneos que ligam o banco à Telerj foi afastada pela polícia, que considerou a boa qualidade das fitas incompatível com esse tipo de escuta. "Para esse tipo de trabalho, que consumiu tanto tempo e equipamento de alta tecnologia, era preciso uma boa base de operações", confirmou um especialista.
O BNDES tem uma central telefônica digital e, na época do grampo, possuía 234 linhas diretas analógicas, que serviam ao alto escalão do banco e poderiam ser facilmente interceptadas, tanto na central da Telerj como na rua.

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