As áreas das torres de Furnas onde uma bomba explodiu e duas foram desarmadas, no Paraná, não foram preservadas adequadamente, o que pode ter provocado a perda de vestígios importantes para o andamento das investigações. A acusação é do delegado regional da Polícia Federal no Paraná, Luiz Melzer, 45 anos. Segundo ele, o fato de ‘‘todo mundo’’ ter tido acesso às áreas próximas das torres dificultou os trabalhos da PF. ‘‘É função da PF isolar a área, mas antes de nossa chegada ao local fica difícil controlar a entrada e saída das pessoas’’, disse.
‘‘Além dos técnicos de Furnas e dos policiais, moradores e equipes de reportagem também chegaram muito perto dos locais, apagando, por exemplo, possíveis pegadas, rastros e marcas de pneus’’, disse o delegado. O material colhido nos locais - estilhaços da primeira bomba e as duas outras que foram desarmadas - está sendo investigado por uma equipe da perícia da PF em Curitiba.
‘‘Estamos agora tentando definir tecnicamente o material utilizado, onde ele pode ter sido comprado, as impressões digitais encontradas e por que as duas últimas bombas não explodiram’’, afirmou Melzer. Quanto à possível existência de outras bombas em torres de Furnas, o delegado disse que cabe à empresa checar - antes da PF - a veracidade das denúncias anônimas que têm sido feitas por telefone. ‘‘Não temos como saber se um fio apenas faz parte do sistema de transmissão ou se é, por exemplo, o detonador de um artefato explosivo. Quando algo estranho é detectado, entramos em ação.’’
Não há prazo para a conclusão do laudo definitivo. Segundo o delegado, a Polícia Federal está trabalhando com todas as hipóteses, mas não tem ainda nenhum indício de quem possa ser o responsável pelas bombas nas torres. Melzer não descartou a possibilidade de elas terem sido instaladas com objetivos políticos.

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