PF quer impedir saída de médium do Brasil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 10 (AE) - A Polícia Federal (PF) vai pedir à Justiça que impeça o médium Rubens Faria de deixar o País. A PF descobriu que o médium, que diz incorporar o espírito do Dr. Fritz (médico alemão morto na 1ªGuerra Mundial) e já operou até o ex-presidente da República, João Figueiredo, está com passagem marcada para a Austrália, domingo. Rubens Faria está sendo investigado pela PF por denúncias de evasão de divisas, sonegação fiscal, exercício ilegal da Medicina, homicídio e lesão corporal. Ele nega todas as acusações e acusa sua ex-mulher de querer prejudicá-lo.
Hoje, policiais que investigam as denúncias ouviram o depoimento de uma testemunha, identificada apenas como dona Didi, que teria interrompido um tratamento quimioterápico para câncer no seio por ordem do médium e agora se encontraria no estágio terminal da doença. A PF anunciou que pretende tomar o depoimento de outras duas testemunhas que teriam visto pessoas morrendo durante as consultas. Trama - Rubens Faria negou todas as denúncias e acusou sua ex- mulher, Rita Costa, a primeira a denunciá-lo, e parentes dela de estarem forjando uma trama para destruí-lo. Ele acusa também um suposto agente da PF de, em conluio com Rita, ter tentado extorquir- lhe US$ 3 milhões para pôr fim às investigações. "Nunca ninguém morreu durante os atendimentos", garantiu. "O Dr. Fritz jamais mandou que alguém suspendesse qualquer tipo de tratamento; pelo contrário, ele sempre aconselhava que as pessoas continuassem se tratando pelos métodos convencionais".
Emocionado e chorando muito, o médium afirmou que suspendeu o atendimento nos galpões da Penha, no Rio, e do Ipiranga, em São Paulo, por não ter condições de trabalhar. "Não consigo mais atender, não tenho mais cabeça, não aguento mais isso", desabafou. "Tenho vergonha de andar na rua, tenho vergonha da minha própria filha". O médium afirmou estar tão desesperado que teria chegado a pensar em suicídio.
"A Rita tem um ódio profundo de mim e quer me destruir com essas calúnias", disse, referindo-se à ex-mulher, de quem está separado desde maio do ano passado. Ele a acusou de controlar, junto com sua família, um esquema de cobrança de consultas. "Eu não sabia de nada".
Interpol - O delegado responsável pelas investigações, Marcelo Bertolucci, da Delegacia Fazendária da PF, pediu ajuda à Interpol para investigar uma empresa de Farias no Uruguai. Há denúncias de que ele poderia estar envolvido com o tráfico internacional de drogas, devido a suas relações com o empresário brasileiro Carlos Germano Neto, que teria sido preso nos Estados Unidos sob a acusação de chefiar uma quadrilha que vendia cocaína na Europa. Farias negou ter qualquer tipo de ligação com Germano Neto. "Estão me caluniando", disse.
O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) entrou com uma queixa-crime contra o médium por exercício ilegal da Medicina. O Cremerj pretende invetigar o possível envolvimento de médicos nas atividades de Rubens Faria. Segundo as acusações feitas à PF, haveria um esquema montado com funcionários do Hospital Getúlio Vargas (HGV), na Penha, zona norte do Rio, para registrar óbitos que ocorreram no galpão onde o médium recebe seus pacientes.


