Arquivo FolhaSegurança máximaO papa João Paulo 2º vai permanecer no Rio durante quatro diasO Exército e a Polícia Federal receberam da Interpol (polícia internacional) uma lista com os nomes de 12 terroristas estrangeiros suspeitos de planejar atentados contra o papa João Paulo 2º. Os terroristas listados pela Interpol têm como origem os EUA e países do Oriente Médio e da Europa. João Paulo 2º visitará o Rio entre os dias 2 e 5 de outubro.
Os cuidados com a segurança do papa já começaram. Militares e agentes federais nas fronteiras, portos e aeroportos foram alertados para dar atenção máxima à possibilidade de passagem dos terroristas que a Interpol relacionou. O assunto é considerado sigiloso pelos órgãos públicos envolvidos no esquema que está sendo montado para a proteção do papa. As identidades dos terroristas não deverão ser divulgadas.
‘‘É uma lista pequena, mas perigosa’’, disse o coronel Gérson Ribeiro, assessor do Comando Militar do Leste (CML) do Exército. A lista da Interpol também foi enviada para as polícias de países que o papa visitou este ano, como o Líbano, considerado de risco máximo pelo Vaticano. O Exército tem a função de coordenar a segurança de João Paulo 2º.
A participação de militares do Exército, Marinha e Aeronáutica na segurança do papa não deverá ser ostensiva. O Vaticano recomendou ao governo brasileiro que não leve tropas armadas para as ruas. Também é vetada a presença de tanques de guerra e canhões em locais de concentração e passagem de fiéis.
A proteção ao papa adotará o chamado ‘‘sistema de anéis’’. O primeiro ‘‘anel’’ ao redor de João Paulo 2º será formado por agentes da PF. Cerca de 200 policiais federais estão sendo treinados para trabalhar na proteção ao papa. Pelo menos 30 deles atuarão diretamente na segurança de João Paulo 2º.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio já iniciou o que o secretário, Nilton Cerqueira, chamou de ‘‘pacificação a qualquer custo’’ dos morros do maciço da Tijuca (zona norte do Rio). Tropas do Bope (Batalhão de Operações Especiais) da Polícia Militar ocupam desde maio a favela do Turano, vizinha à casa onde o papa ficará hospedado, no morro do Sumaré. A ocupação noturna das favelas pela PM se estendeu, na semana passada, aos morros do Salgueiro, Casa Branca, Borel e Chacrinha.
As cinco favelas tijucanas estão sendo patrulhadas diariamente por cerca de cem policiais militares, no período entre 16 horas e 4 horas. O assessor técnico da SSP, tenente-coronel Milton da Costa, disse que até as florestas próximas às favelas serão vasculhadas por policiais do Bope e do Batalhão de Choque, as tropas de elite da PM fluminense.
De acordo com Costa, as matas do Parque Nacional da Floresta da Tijuca escondem acampamentos clandestinos montados por traficantes. Nos acampamentos, as quadrilhas treinariam táticas de combate, além de guardar armamentos, munições e drogas.
‘‘Consideramos o maciço da Tijuca uma área crítica. Vamos restaurar a ordem pública nesses locais. As florestas serão todas vasculhadas até o início de setembro. O objetivo é apreender armas e drogas e prender criminosos’’, disse Costa.
A Polícia Civil também participará do esquema de proteção ao papa. O Esquadrão Antibombas da Polícia Civil ficará de prontidão durante todo o período de permanência de João Paulo 2º no Rio. O esquadrão deverá receber reforço de pessoal, além de equipamentos mais modernos.

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