Nelson Francisco
Agência Estado
De Cuiabá
O diretor-geral da Polícia Federal, Argílio Monteiro Filho, garantiu ontem, em Cuiabá, que em alguns dias estará resolvido o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no dia 7, no Paraguai. A operação policial envolve 100 policiais federais e 12 delegados que estão trabalhando nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além da Interpol (Polícia Internacional) e da Polícia Nacional do Paraguai.
Dezoito pessoas foram ouvidas. Dois suspeitos - o empresário Josino Guimarães, acusado de ser ‘‘corretor de sentença’’ - e o ex-policial militar Maurício Marques Ribeiro continuam presos. Há indícios de envolvimento deles no assassinato de Amaral. ‘‘Tudo será feito para que a verdade venha à tona, doa a quem doer’’, disse Monteiro, sem descartar a possibilidade de alguns desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso serem convocados para depor na PF.
O corregedor-geral da 1ª região do Tribunal Regional Federal (TRF), Fernando Tourinho Neto, também está em Cuiabá para acompanhar as investigações. Ele reunirá amanhã os juízes federais no Estado para acompanhar de perto as investigações. Sem entrar em detalhes de uma possível intervenção federal no Estado, ele disse que a decisão caberá ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), instituição à qual os desembargadores são subordinados.
O superintendente da PF no Mato Grosso, Cláudio Luís Rosa, reassumiu ontem o cargo. O delegado Jorge Luís Bezerra dos Santos - que desvendou o caso da máfia dos coronéis da Polícia Militar alagoana - será o coordenador do inquérito. As investigações agora estarão a cargo do delegado José Pinto de Luna, da superintendência paulista da PF. Ele desvendou o assassinato do delegado da PF, Alcione Serafim Santana, em 98, observando um pequeno detalhe da roda de um automóvel e levou à prisão um outro delegado também da PF que tinha envolvimento com o tráfico de drogas em SP.
Hoje, às 9 horas, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil em MT (OAB/MT), Ussiel Tavares, se reúne com o presidente da entidade em Brasília, Reginaldo Castro. A OAB vai fazer um rastreamento de todas as denúncias feitas pelo juiz Leopoldino Marques do Amaral no Supremo Tribunal Federal (STF), CPI do Judiciário e STJ. ‘‘Vamos ter acesso a todas as denúncias protocoladas. O fato do juiz ter sido processado não as invalida’’, disse Tavares.
Uma caravana com mais de 200 estudantes universitários de Cuiabá vai a Brasília pedir intervenção federal em MT. Em Cuiabá, o Tribunal de Justiça convocou uma reunião de urgência para amanhã com os juízes. Motivo: analisar o ‘‘caso Amaral’’.

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