PF procura instalação guerrilheira no AM
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quinta-feira, 06 de novembro de 2003
Edson Luiz<br> Agência Estado 
Tunuí, AM - A Polícia Federal (PF) iniciou esta semana uma grande operação no Amazonas para tentar localizar um suposto acampamento de um grupo guerrilheiro que atua em território brasileiro, provavelmente ligado às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). O grupo foi visto por índios próximo a uma pista de pouso em Caparro, no noroeste do Estado, destruída ontem por caças bombardeios AMX e F-5 da Força Aérea Brasileira (FAB).
Moradores da região tiveram contato com estranhos perto do local e a PF suspeita que possam ser integrantes das Farc porque usavam roupas semelhantes às dos combatentes. ''A pista servia de ligação do tráfico entre o Brasil e Colômbia'', afirma o delegado federal Mauro Spósito, coordenador-geral de Operações de Fronteiras da PF.
Segundo Spósito, no lado colombiano, existia uma outra faixa de pouso, e, na parte brasileira, era feito o armazenamento da cocaína vinda da região das Farc. ''Eles levavam pequenas quantidades para o local e depois um avião de porte médio transportava um grande volume para fora do País, provavelmente, pelo Suriname'', afirma ele, que levanta a rota dos traficantes, com informações obtidas pelo Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam).
Nos últimos meses, um grande movimento de aviões começou a ser observado na região, ao mesmo tempo em que surgiram informações sobre a presença de estrangeiros e a existência de uma instalação entre as Serras Tunuí e Caparro, próximo à fronteira com a Colômbia. ''Tivemos informação de que se trata de um grupo fardado com roupas camufladas que não são do Exército e nem da Polícia Federal do Brasil'', diz o chefe do Posto da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Tunuí, Edson Caldas. ''Nossa suspeita é que sejam guerrilheiros.'' Depois da localização da pista e das informações sobre o acampamento, a PF reforçou a fiscalização na fronteira, criando até mesmo um posto avançado. Até então, as autoridades brasileiras haviam identificado a presença de guerrilheiros a 20 quilômetros de Melo Franco, na região conhecida como Cabeça do Cachorro, também no noroeste amazonense.
''Existem relatos de índios que foram surrados por pessoas estranhas, inclusive usando bandanas'', revela afirma Spósito.
A pista destruída ontem por caças da FAB é uma das maiores encontradas na região nos últimos anos. ''São 1.800 metros, o que possibilita pousos de aviões bem maiores dos que os traficantes estão usando'', garante delegado federal.
Segundo Spósito, após a descoberta, a PF destruiu parcialmente a pista, mas os traficantes fizeram reparos, tornando possível o pouso de aparelhos pequenos. ''Para evitar que ela seja novamente construída, fizemos o bombardeio.'' Esta é a segunda ação conjunta entre a FAB e a PF. A primeira, há um ano, aconteceu na fronteira do Pará com o Suriname e Guiana, onde foram localizadas três pistas usadas por traficantes brasileiros e colombianos, além de biopiratas internacionais.
Os oito AMX o mesmo tipo enviado para Kosovo pela Itália e os F-5 jogaram na pista de Caparro 16 bombas com cerca de 500 quilos cada. Apesar da intervenção desencadeada na segunda-feira, aviões sem identificação foram vistos por índios na região, sempre voando em pequena altitude para evitar o rastreamento dos satélites do Sivam.


